O que o luto e a dor humana causam em mim?

Foto Ilustrativa: by Getty Images/SDI Productions
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O mundo acompanha, pelos meios de comunicação, a dor do luto sofrida, anonimamente, por uma grande multidão, revelando, de maneira desconcertante, o sofrimento humano, provocado pela pandemia da covid-19. Muitas famílias nem ao menos tiveram a oportunidade para se despedirem de seus entes queridos. Uma dor sem bálsamo, um peso necessário ante as exigências para a prevenção de novas contaminações. Há, pois, um clamor silencioso, mas ensurdecedor, que vem do luto dessas famílias. Esse clamor deve sensibilizar a sociedade, para que seja adotada a lógica da compaixão solidária, capaz de aliviar a dor dos enlutados e de promover a aprendizagem de um novo jeito de viver.

Não se pode tratar o luto com indiferença

O luto é inevitável nas circunstâncias da vida humana, mas pesa muito mais aquele que se origina nas irresponsabilidades, a exemplo do que é imposto pela atual pandemia. O luto torna-se especialmente pesado quando não é vivido adequadamente, pois não se alcança a sua fecundidade dolorosa, a força de redenção que surge nos limites próprios da condição humana. Não se pode tratar o luto com indiferença. Trata-se de experiência a ser vivida considerando a singularidade de sua dor, a consolação que se recebe das pessoas próximas, a oportunidade para aprendizados e qualificação da própria existência, alcançando sentidos profundos sobre o dom da vida.

Assim é o luto cristão, caminho experiencial terapêutico, que se distingue por estar fundamentado na esperança. Essa experiência no contexto da fé cristã é convite a vislumbrar, para além da separação terrena, o reencontro com Deus. Os cristãos consideram seus falecidos não como pobres mortos – eles são os que nos precedem e nos esperam diante de Deus. A morte provoca uma separação muitas vezes desconcertante. Há os que ficam extremamente desconsolados e até deixam de enxergar sentido na vida. O luto cristão se assenta na certeza da vida pós-morte. Assim, reorienta o viver de enlutados, ajuda a permear o coração com recordações consoladoras dos que morreram. E, mesmo na impossibilidade do contato, na invisibilidade, continua forte a presença de quem parte, ajudando a superar tristezas e angústias dos que ficam.

Busque ser presença solidária

A fé cristã leva à certeza da vida eterna, conquistada com Jesus – Filho de Deus. Sua morte e ressurreição abriram as portas da vida que nunca passa. A morte é um trânsito pascal, significação luminosa que devolve a certeza de uma vitória definitiva. Essa certeza, se cultivada, ameniza a sensação de fracasso que a perda e a partida sempre trazem. A dor da morte impõe sempre o luto, alguns ainda mais dolorosos, sobretudo, por circunstâncias incompreensíveis à racionalidade humana. O cristão também sente o trauma da morte biológica, com as suas angústias e sofrimentos, mas deve deixar-se orientar sempre por uma luz amorosa: a vitória da vida sobre a morte, bálsamo para a dor humana. No caminho indicado por essa luminosidade, os que professam a fé em Jesus devem se comprometer com a vida, zelar por ela em todas as suas etapas. Isso inclui saber sobre a tarefa cristã de se dedicar aos enlutados, sensibilizar-se ante a dor do próximo, que é irmão, tratando-a com o bálsamo da consolação e da solidariedade.

Neste contexto contemporâneo de tantas feridas, de corações tomados pela dor, é urgente que cada pessoa busque ser presença solidária, compartilhando palavras que devolvam a esperança. Trata-se de cumprir missão paraclética, isto é, consoladora, responsabilidade de todos – uns cuidando dos outros, unidos, para levar luz aos momentos de luto e aliviar a dor humana.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

Campanha da Fraternidade 2020

Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34)