AUXÍLIO: Saúde mental: iniciativas que ajudam nesse tempo de pandemia

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Projetos dentro e fora da Igreja buscam auxiliar pessoas que sofrem com ansiedade e depressão durante a pandemia causada pelo novo coronavírus...

Com a pandemia do novo coronavírus, pessoas em todo o mundo têm tido impacto direto em suas rotinas diárias.  Sem vacina, a forma encontrada até então para conter a disseminação do vírus foi o isolamento social, que trouxe uma série de mudanças: o “home office”, em alguns casos, crianças em casa sem poder ir à escola e praticar as atividades habituais, novas configurações para se fazer atividade física. Ficar em casa trouxe uma nova realidade inesperada para todos. Neste cenário, como fica a saúde mental?

Segundo uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio (Uerj), em uma pesquisa pública no periódico científico The Lancet, desde o início da pandemia, os casos de estresse e ansiedade mais do que dobraram. Já as crises depressivas tiveram aumento de 90%.

Diante deste cenário, em Moreira César, no interior de São Paulo, um grupo de psicólogas intensificou o trabalho de atendimento psicológico a pessoas carentes a baixo custo, ou até mesmo gratuitamente, seguindo uma iniciativa que começou já em 2011 com o projeto HumanaMente. Atualmente, são seis psicólogas e uma psicopedagoga. “Assim, foram realizadas dinâmicas, vivências, cafés temáticos até que, no ano seguinte, em razão da comemoração do dia do psicólogo, em 27 de agosto, iniciamos a ‘Semana da Psicologia’, uma semana com eventos voltados para o autoconhecimento e que, neste ano de 2020, terá a sua oitava edição”, explica Marcela Reis de Siqueira, uma das psicólogas que integram o grupo.

Além de atendimento psicológico individual, o projeto também organiza grupos de discussão com pais, jornadas de autoconhecimento, grupos de apoio ao emagrecimento, grupos de estudos para crianças, além dos atendimentos clínicos individuais.

Atendimento on-line

O avanço das tecnologias de transmissão de dados pela internet se tornou um diferencial nestes dias pandêmicos: muitos continuaram a trabalhar de casa, pelo computador, as aulas puderam ser ministradas à distância e os atendimentos psicológicos também puderam se beneficiar disso.

Por outro lado, os pacientes, ainda que assíduos usuários da internet, não se sentiram completamente à vontade para continuarem suas sessões terapêuticas por videoconferência. “Com isso, fez-se necessário um trabalho de conscientização desmistificando o atendimento on-line. Mostrando para as pessoas e pacientes que os resultados são tão eficazes como os dos atendimentos presenciais”, afirma a psicóloga Jenifer Silva Rodrigues, também integrante do grupo. 

Segundo a especialista, as principais queixas dos pacientes são aumento do estresse, irritabilidade, crise de ansiedade, dificuldade de relacionamento com os membros da família, dificuldade em estabelecer uma rotina, aumento de apetite e desânimo elevado. “Mas tem sido possível trabalhar todas estas demandas por meio do atendimento on-line, com resultados satisfatórios”, garante a psicóloga.

Veja também a reportagem “Em tempos de isolamento social, a saúde mental pede cuidados”: 

Incertezas e indefinições

A pandemia trouxe uma nova realidade para a qual o mundo não estava preparado: a incerteza. Até o momento, embora avanços já tenham sido noticiados neste sentido nas últimas semanas, uma vacina ainda não foi apresentada ao mundo. Lidar com isso traz inúmeros questionamentos para os quais não se tem respostas certas.

“Na verdade, vivemos o tempo todo cercados por incertezas e precisamos assumir esta realidade para enfrentar a ansiedade. A ilusão de que é possível ter o controle sobre todas as situações é a raiz de muitos dos nossos sofrimentos emocionais”, adverte Danielle Almeida da Silva, também psicóloga do grupo.

Num primeiro momento, Danielle aconselha algumas estratégias para diminuir estas sensações: exercícios para respiração, atividades físicas, leitura, assistir a filmes e séries, ouvir músicas, cozinhar e aprofundar a espiritualidade. Caso nenhuma dessas alternativas surja o efeito desejado, é hora de falar com um profissional.

“Se a ansiedade estiver gerando crises muito difíceis de controlar, é relevante procurar apoio profissional. Além disso, independente do nível de ansiedade, será importante evitar ver notícias sobre a pandemia o tempo todo e buscar focar-se no presente, nas possibilidades do dia de hoje, que é o único no qual podemos ter algum controle. O amanhã da pandemia realmente não está em nossas mãos, por ele a única coisa que podemos fazer é continuar nos prevenindo”, pondera.

“Criatividade e autoconhecimento são características essenciais nesse momento”, acrescenta a psicóloga Marcela Reis de Siqueira. “Autoconhecimento para saber o que dá prazer, quais atividades são relaxantes/estressantes, as habilidades que possui e as que podem ser desenvolvidas. Criatividade para ir além do óbvio, para desenvolver estratégias próprias, para criar rotinas com sentido e para se permitir sair delas quando julgar necessário”, detalha a especialista.

Ajuda telefônica

Nem só pela internet pode chegar a ajuda. Na paróquia da Catedral de Tubarão (SC), padre Eduardo Rocha, decidiu levar adiante um projeto de escuta telefônica para quem estiver sofrendo crises depressivas durante a pandemia.

Num estado que tem enfrentado índices altíssimos da pandemia (o governo local registrou 70.138 casos confirmados de Covid-19 e 924 mortes até esta segunda-feira, 27), o serviço tem sido fundamental para aqueles que têm tido dificuldades para manter a saúde mental em dia.

“Temos trabalhado com nossos fiéis no sentido de comunidade, uma experiência fundante para os cristãos. E na experiência de comunidade, fica evidente primeiro o eu, mas que encontro o outro e os outros. E é exatamente neste encontro que algumas experiências muito humanas e cristãs são possíveis de serem realizadas. O cuidado com a vida, o bem comum, o altruísmo. Por isso, neste momento, insistimos que o isolamento social para os cristãos é de amor à comunidade”, explica o padre Eduardo Rocha.

Em Tubarão, o religioso pôde perceber que muitos idosos estavam sentindo com mais força estas medidas de isolamento social. Sendo assim, foi decidido oferecer uma ajuda a esta parcela da população que tanto tem sentido a dor da solidão imposta pela pandemia. “Ajudamos os idosos em questões que vão ao encontro ao momento que eles estão vivendo: como controlar a ansiedade, o que fazer com este espaço físico quando estamos sozinhos, oferecemos retiros on-line. É importante estar próximo não fisicamente, mas oferecendo conteúdo, uma palavra”, afirma.

O retorno positivo deste trabalho já tem sido percebido. “Temos levado conforto às pessoas, que abre para elas uma perspectiva possível para superar as dores humanas e do coração, além de problemas no relacionamento, já que as convivências ficaram mais intensas”, relata padre Eduardo.

O resultado, aliás, tem sido tão bom, que o padre resolveu incluir neste ajuda um retiro on-line, a fim de fortalecer o lado espiritual de quem tem se mantido fiel ao isolamento social. “Tem sido uma experiência muito fecunda, um bálsamo na vida de diversas famílias, casais e idosos”, assegura.

A ação da Igreja

A Igreja sempre teve um papel fundamental em diversos momentos de dificuldade atravessados pela humanidade. Para padre Eduardo, essas ações evangelizadoras nestes dias pandêmicos têm sido fundamentais. “Essas ações são reconfortantes para aqueles que estão em suas casas, mas para nós também, que nos sentimos tocados pela Palavra de Jesus. A Igreja sempre, ao longo de sua história, procurou estar ao lado das pessoas, ela nunca se fechou”, assegura. “Mesmo neste momento em que as autoridades civis pedem para que não abramos as portas, abrimos outras de diálogo, de comunhão, oração e participação, de intercâmbio de graças e bênçãos”, reflete.

Além da ajuda telefônica e on-line, a catedral de Tubarão já distribuiu 16 mil quilos de alimentos em cestas básicas, mais de 5 mil litros de leite, 2 mil dúzias de ovos e muitas peças de roupa para que os mais necessitados possam enfrentar o inverno rigoroso da região Sul nesta época do ano. “É um momento que desperta outras dimensões que são necessárias à evangelização”, finaliza o padre Eduardo.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

Campanha da Fraternidade 2020

Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34)