Bispos italianos divulgam mensagem às comunidades cristãs em tempo de pandemia

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A Conferência Episcopal se dirige aos membros da comunidade cristã católica, aos crentes de outras confissões cristãs e de todas as religiões e aos homens e mulheres de boa vontade: "a crise mundial de saúde mostra claramente que o nosso planeta hospeda uma única grande família”. Em seguida, o convite aos agentes da comunicação: "continuemos a testemunhar a ressurreição, caminhando com a nova vida que vem precisamente da esperança cristã".

A mensagem da Conferência Episcopal Italiana chega “em meio à nova onda planetária de contágios da Covid-19” que parece enfraquecer ainda mais um mundo perdido e em crise. Na certeza das palavras de São Paulo: “alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração”, os bispos assinalam mais uma vez o caminho que o Papa Francisco nunca se cansa de traçar:

“As Igrejas na Itália estão dando a sua contribuição para o bem dos territórios, colaborando com todas as instituições na convicção de que a emergência requer um senso de responsabilidade e unidade: confortados pelo magistério do Papa Francisco, estamos certos de que para o bem comum é necessário continuar nessa linha de diálogo constante e sério.”

Como pedras sobre as quais apoiar os pés para chegar à outra margem, os bispos se concentram em quatro pontos fundamentais. Em primeiro lugar, dão um nome a este momento difícil que a humanidade está vivendo.

Um tempo de tribulação

“Não podemos esconder que estamos em um momento de tribulação”, se lê na mensagem, que depois continua: “por trás dos números aparentemente anônimos e frios dos contágios e das mortes estão pessoas, com os seus rostos feridos e almas desfiguradas, necessitando de um calor humano que não pode falhar”.

O pensamento vai, então, “para aqueles que lidam com a saúde pública, o mundo do trabalho e aquele da escola que estão passando por uma fase delicada e complexa”, dando lugar às palavras de Francisco, extraídas da Laudato si’, na qual o Pontífice enfatiza como é “atual a necessidade urgente do humanismo, que apela a diferentes saberes, inclusive econômicos, para uma visão mais integral e integrativa”.

O convite dos bispos é de reagir porque, “mesmo neste momento, a Palavra de Deus nos chama” a permanecer “firmes na fé, fixando o olhar em Cristo (cf. Heb 12,2), para não nos deixarmos influenciar ou mesmo nos deprimir pelos acontecimentos. Mesmo que não seja possível mover-se rapidamente, porque a corrente oposta é muito impetuosa, vamos aprender a reagir com a virtude da fortaleza”.

Um tempo de oração

Nas adversidades, a oração pode ser “desabafo” ou “pedido”, afirmam os bispos, referindo-se às muitas passagens das Escrituras e do Evangelho em que a invocação a Deus assume essas conotações. Em particular, o convite é para suplicar às famílias para que “o bem da sociedade passe antes de tudo” pela “serenidade”. Daí o desejo da Conferência Episcopal “que as autoridades civis as apoiem, com grande senso de responsabilidade e medidas eficazes de proximidade, e que as comunidades cristãs saibam reconhecê-las como verdadeiras igrejas domésticas, expressando atenção, apoio, respeito e solidariedade”.

Uma única grande família

No terceiro ponto, os bispos citam diretamente a recente Encíclica “Fratelli Tutti”, do Papa Francisco, alertando para o perigo do “se salve quem pode” que pode se transformar num “todos contra todos”:

“Uma tragédia global como a pandemia da Covid-19 tem efetivamente despertado há algum tempo a consciência de que somos uma comunidade mundial navegando no mesmo barco, onde o mal de um está em detrimento de todos. Acabamos nos recordando que ninguém pode se salvar sozinho, que só podemos nos salvar juntos.”

“Este é o melhor catolicismo italiano, enraizado na fé bíblica e projetado para as periferias existenciais que certamente não deixará de se curvar aos necessitados, em união com homens e mulheres que vivem a solidariedade e a dedicação aos outros, qualquer que seja a sua origem religiosa.”

Nesse contexto, prossegue a mensagem da Conferência Episcopal, os cristãos são chamados a levar sobretudo “a contribuição da fraternidade e do amor aprendidos na escola do Mestre de Nazaré, morto e ressuscitado”.

O convite aos agentes da comunicação

“Se os sinais de morte vêm à mente”, ainda escrevem os bispos, “e se impõem através da mídia, os sinais da ressurreição são muitas vezes escondidos, mas ainda mais reais do que antes. Aqueles que têm olhos para ver podem falar de inúmeros gestos de dedicação e generosidade, de solidariedade e amor, tanto da parte de crentes e de não crentes”. No centro de nossa fé “está a Páscoa, ou seja, a experiência de que o sofrimento e a morte não são a última palavra, mas são transfigurados pela ressurreição de Jesus. É por isso que acreditamos que este seja um tempo de esperança. Não podemos nos retirar e esperar por tempos melhores, mas continuamos a testemunhar a ressurreição, caminhando com a nova vida que vem precisamente da esperança cristã. Esse é um convite”, conclui a Conferência Episcopal, “que dirigimos de maneira particular aos agentes da comunicação: todos juntos nos comprometamos a dar razão à esperança que há em nós”.

Tempo de possível renascimento social

O último aspecto proposto e analisado na mensagem refere-se à evidência de “um excepcional despertar de criatividade” demonstrado neste período por comunidades, dioceses, paróquias, institutos de vida consagrada, associações, movimentos e fiéis individuais:

“Juntamente com muitos esforços pastorais, novas formas de anúncio surgiram também através do mundo digital, práticas adaptadas ao tempo da crise e além dela, ações caritativas e assistenciais mais sensíveis à pobreza de todos os tipos: material, afetiva, psicológica, moral e espiritual.”

O pedido, ou melhor, o apelo à consciência de cada cristão, contém em si mesmo toda a esperança e vitalidade de uma nova ressurreição:

“Pedimos a cada cristão que faça um compromisso renovado com a sociedade onde é chamado a ajudar, através do seu trabalho e das suas responsabilidades, e de não descuidar de pequenos, mas significativos gestos de amor, porque a caridade é o primeiro e verdadeiro testemunho do Evangelho.”

“Para nós, é importante testemunhar que o único tesouro que não está destinado a perecer e que deve ser comunicado às gerações futuras é o amor, que vem da fé no Ressuscitado. Acreditamos que este amor vem do alto e atrai cada mulher e cada homem de boa vontade para uma fraternidade universal.”

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34)