Mianmar: “A nação é confiada à misericórdia de Deus”

Religiosos, padres, freiras, cristãos leigos têm oferecido e continuam oferecendo um testemunho profundo de fé, mostrando a face misericordiosa da Igreja católica durante a crise vivida no país do sudeste asiático após o golpe de Estado de 1º de fevereiro. "Vocês acompanharam seu povo em momentos de provação", ressalta o arcebispo de Yangun, cardeal Maung Bo. "Da escuridão, simples atos de generosidade brilham com grande poder." "Esta mensagem de amor redentor - explica - é em síntese a mensagem da divina misericórdia"
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“Estamos nas mãos de Deus. A nação é confiada à sua Divina misericórdia. Numa fase de tensão, sofrimento, incertezas sobre o futuro, nossa rocha é Cristo. Este é o caminho que percorremos, vendo os manifestantes que continuam todos os dias a se reunir nas cidades, grandes e pequenas, para rejeitar o governo militar e exigir democracia. Numerosas vigílias de oração são organizadas em lugares públicos e privados.”

Com essas palavras, um grupo de religiosas em Mianmar, solicitando o anonimato por razões de segurança, descreve à Fides – agência missionária da Congregação para a Evangelização dos Povos – a situação social e o tormento espiritual que os fiéis católicos estão vivenciando nesta dramática fase da vida nacional do país do sudeste asiático.

Como relatado pelas religiosas, o caminho que a Igreja birmanesa está percorrendo hoje é o que foi traçado pelo arcebispo de Yangun, cardeal Charles Maung Bo, durante a missa celebrada em 11 de abril de 2021, no Domingo da Divina Misericórdia, quando fez votos de “uma fé que seja acompanhada de obras”.

A vida brotará da morte quando chegar o tempo do Senhor

A Ressurreição, lembrou o cardeal, dando orientações aos fiéis sobre como viver o Tempo Pascal, “é a celebração da esperança. É a convicção e a certeza de que Deus pode criar maravilhas até mesmo a partir de um túmulo. A vida brotará da morte quando chegar o tempo do Senhor”.

“O último ano foi de escuridão e morte, marcado por tanto sofrimento humano. Permitamos que o coração de Cristo Jesus cure a todos: o opressor e o oprimido”, exortou o purpurado birmanense.

Uma referência explícita é à cidade de Myitkyina, no norte de Mianmar, no estado de Kachin, protagonista da “fé e do sacrifício”. Na cidade, houve a grande tragédia de pessoas inocentes mortas nas ruas, até mesmo em frente à igreja.

A Igreja acompanha seu povo no sangue e nas lágrimas

“A Igreja – recordou o cardeal Bo – foi envolvida na luta de nosso povo, chamada a acompanhá-lo no sangue e nas lágrimas. Ela realmente percorreu uma verdadeira Via-Sacra. Para muitos de vocês, a décima terceira estação da Via-Sacra, aquela onde nossa Mãe Maria chora o corpo de seu filho, tornou-se real. Vivemos em um país onde centenas de mães vivem com lágrimas inconsoláveis e seus corações feridos ao verem seus filhos sendo torturados e mortos. A todas essas mães e a todos vocês diretamente envolvidos, rezamos com a graça que brota do coração de Jesus.”

“Religiosos, padres, freiras, cristãos leigos têm oferecido e continuam oferecendo um testemunho profundo de fé, mostrando a face misericordiosa da Igreja católica durante a crise.”

O cardeal-arcebispo de Yangun observou: “Com assembleias e vigílias de oração vocês acompanharam seu povo em momentos de provação. O nome Myitkyina foi colocado no mapa internacional graças ao testemunho inspirador da Irmã Ann Rose Nu Tawng das Irmãs de São Francisco Xavier.

O testemunho de Irmã Ann Rose ao mundo inteiro

“O mundo assistiu ao precioso testemunho, pronta para o sacrifício, diante do tsunami do mal. Recomendo o testemunho do amor salvador de Irmã Ann Rose, que inspirou muitos a apreciar a Igreja católica e a vida religiosa. Da escuridão, simples atos de generosidade brilham com grande poder.”

“Esta mensagem de amor redentor – explicou – é em síntese a mensagem da divina misericórdia. Perdão diante das trevas, amor diante do ódio é a mensagem que o Senhor deu à Irmã Faustina Kowalska em suas muitas aparições. Deus de misericórdia, não buscamos mais Jesus entre os mortos, pois Ele está vivo e se tornou o Senhor da vida. O mistério da Ressurreição é revelado através da misericórdia de Deus.”

Oração com Santa Faustina Kowalska

O cardeal-arcebispo de Yangun concluiu: entre todos os grandes desafios que enfrentamos hoje, buscamos a misericórdia de Deus. Os tempos são sombrios, o caminho parece desafiador. Precisamos da luz da misericórdia de Deus em Mianmar. Oremos com Santa Faustina:

“Deus eterno, cuja misericórdia é infinita e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai-nos com bondade e aumentai em nós a vossa misericórdia, para que nos momentos difíceis não nos desesperemos nem nos desanimemos, mas com grande confiança nos submetamos à vossa santa vontade, que é o Amor e a própria Misericórdia.”

“Que cada lar e toda a nação sejam protegidos e confiados à Divina Misericórdia”, foi a exortação final do arcebispo de Yangun, cardeal Charles Maung Bo.

(Fides)

Por: Vatican News

Marcio Brito
Marcio Brito

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