Frei Darlei: A beleza da família

Somos convidados a rezar e refletir sobre a beleza do matrimônio, que resiste e se mostra sempre mais significativo numa sociedade individualista, competitiva, estéril, líquida. As famílias são mais do que nunca as provedoras da segurança psicológica e do bem-estar material.
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Somos convidados a rezar e refletir sobre a beleza do matrimônio, que resiste e se mostra sempre mais significativo numa sociedade individualista, competitiva, estéril, líquida. As famílias são mais do que nunca as provedoras da segurança psicológica e do bem-estar material.

Frei Darlei Zanon – Religioso paulino

“Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio, o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isso incentiva a Igreja.” Assim o Papa Francisco inicia a sua encíclica pós-sinodal sobre a alegria do amor na família, intitulada Amoris laetitia. Neste mês de junho, o Papa nos convida exatamente a rezar pela realidade da família, mais especificamente “pelos jovens que se preparam para o matrimônio com o apoio de uma comunidade cristã, para que cresçam no amor, com generosidade, fidelidade e paciência”.

Somos convidados a rezar e refletir sobre a beleza do matrimônio, que resiste e se mostra sempre mais significativo numa sociedade individualista, competitiva, estéril, líquida. As famílias são mais do que nunca as provedoras da segurança psicológica e do bem-estar material. Isso é muito evidente durante o período de pandemia que enfrentamos. A família se tornou o porto seguro de praticamente todas as pessoas. Foi na família que encontramos apoio financeiro, suporte emocional, acolhida no período de lockdown, assistência na hora do medo e do sofrimento. A família se tornou a referência fundamental ao longo de todo o período de instabilidade. O Governo, as ONGs, as instituições ajudam pontualmente, em casos específicos, mas em modo geral são as famílias que se unem e ajudam os seus membros naquilo que têm urgência.

Nesse sentido, resgatar o valor do matrimônio e da família é essencial, especialmente em tempo de “crise”. Esta é certamente a intenção do Papa ao proclamar o Ano da Família, iniciado a 19 de março, dia de São José e do 5o aniversário de publicação da encíclica Amoris laetitia, e que se prolongará até 26 de junho de 2022, durante o 10º Encontro Mundial das Família, em Roma. Ano jubilar que se torna uma oportunidade para aprofundar o sentido da família e da alegria do amor que a caracteriza.

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Frei Darlei Zanon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A família é o núcleo fundamental da sociedade, a primeira escola, a primeira Igreja, o princípio e o alicerce da fé e da nossa vocação à santidade. A família “é a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano, onde se aprende a tenacidade e a alegria no trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado e, sobretudo, o culto divino, pela oração e pelo oferecimento da própria vida”, afirma o Catecismo da Igreja Católica (n. 1657). E o Catecismo vai além. Recordando-nos a centralidade da família, afirma, no seu n. 1656: “Nos nossos dias, num mundo muitas vezes estranho e até hostil à fé, as famílias crentes são de primordial importância, como focos de fé viva e irradiante. É por isso que o II Concílio do Vaticano chama à família, segundo uma antiga expressão, Ecclesia domestica – Igreja doméstica. É no seio da família que os pais são, pela palavra e pelo exemplo, os primeiros arautos da fé para os seus filhos, ao serviço da vocação própria de cada um e muito especialmente da vocação consagrada. É aqui que se exerce, de modo privilegiado, o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família.

É primeiramente na família que experimentamos Deus, onde aprendemos a amar a Deus e ao próximo, sobretudo através do IV mandamento: “honrarás pai e mãe”. Os valores e os princípios que são vividos no pequeno âmbito familiar possibilitarão aos filhos uma vida social solidária quando eles crescerem. O próprio Jesus precisou da ajuda da sua família humana para crescer em “sabedoria, estatura e graça”. Foi ali que aprendeu a rezar e a amar, onde recebeu afeto e proteção. A família de Nazaré é por isso o nosso modelo de família. Dela devemos aprender e nela devemos nos inspirar para uma relação saudável entre todos os membros.

O Catecismo dedica diversos outros parágrafos ao sacramento do matrimônio (cf. nn. 1601-1666). Ali vemos expresso como o matrimônio, chamado sacramento da comunhão, é um encontro com Cristo e significa a união de Cristo com a Igreja. Confere aos esposos a graça de se amarem com o mesmo amor com que Cristo amou a sua Igreja. É Cristo que revela e expressa o seu amor no amor do casal, promete a sua fidelidade na fidelidade do casal. A graça do sacramento aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos, dá firmeza à sua unidade indissolúvel e santifica-os no caminho da vida eterna. Através do matrimônio, Deus convida e guia o casal a viver no amor, ser fecundos e ser sinal visível do seu amor no mundo.

A celebração do sacramento se realiza diante da comunidade porque os noivos, que são os ministros deste sacramento, fazem uma promessa não apenas um ao outro, mas diante de Deus e da comunidade cristã que os acolhe. O sacerdote ou diácono é apenas a testemunha que invocará sobre os noivos a bênção de Deus. Por isso é importante que toda a comunidade cristã reze e acolha o novo casal, como nos pede o Papa na intenção de oração deste mês. A comunidade cristã deve garantir todo o apoio necessário para que o novo casal, esta nova família que se forma, possa crescer sempre “no amor, com generosidade, fidelidade e paciência”.

Marcio Brito
Marcio Brito

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