O Papa na missa de Corpus Christi: a sede de Deus nos leva ao altar

"Para celebrarmos a Eucaristia, é preciso primeiramente reconhecer a nossa própria sede de Deus. O drama atual é que muitas vezes se exauriu a sede. Apagaram-se as perguntas sobre Deus, afrouxou o anseio por Ele. Deus deixou de atrair, porque já não nos damos conta da nossa sede profunda", disse Francisco em sua homilia.
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

O Papa Francisco presidiu a Eucaristia na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, celebrada na Itália e em outras partes do mundo, na Basílica de São Pedro, na tarde deste domingo (06/06).

Ouça e compartilhe

“Jesus manda aos seus discípulos que vão preparar o lugar para celebrar a ceia pascal. Foram eles que perguntaram: Mestre, «onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?» Enquanto contemplamos e adoramos a presença do Senhor no Pão Eucarístico, somos chamados também nós a interrogar-nos: Em que «lugar» queremos preparar a Páscoa do Senhor? Quais são os «lugares» da nossa vida onde Deus nos pede para o hospedarmos?”, perguntou o Papa em sua homilia, usando três imagens do Evangelho para responder estas perguntas.

Só Deus satisfaz a nossa sede

A primeira é a imagem do homem que traz um cântaro de água. Aquele homem, “completamente anônimo, serve de guia para os discípulos à procura do lugar que depois receberá o nome de Cenáculo”.

O cântaro de água é o sinal de reconhecimento: um sinal que faz pensar na humanidade sedenta, sempre à procura duma fonte de água que lhe mitigue a sede e a restaure. Todos nós caminhamos na vida com um cântaro na mão: temos sede de amor, de alegria, duma vida bem sucedida num mundo mais humano. E, para esta sede, não basta a água das coisas mundanas, pois trata-se duma sede mais profunda que só Deus pode satisfazer.

“Para celebrarmos a Eucaristia, é preciso primeiramente reconhecer a nossa própria sede de Deus. O drama atual é que muitas vezes se exauriu a sede. Apagaram-se as perguntas sobre Deus, afrouxou o anseio por Ele. Deus deixou de atrair, porque já não nos damos conta da nossa sede profunda. É a sede de Deus que nos leva ao altar. Se faltar a sede, as nossas celebrações tornam-se áridas. Deste modo, também como Igreja, não nos podemos contentar com o grupinho daqueles que habitualmente se reúnem para celebrar a Eucaristia; devemos ir pela cidade, encontrar as pessoas, aprender a reconhecer e despertar a sede de Deus e o anseio do Evangelho”, disse ainda o Pontífice.

Sair do pequeno quarto do nosso eu

A segunda imagem é a da grande sala no andar de cima. É lá que Jesus e os seus farão a ceia pascal e esta sala encontra-se na casa da pessoa que os hospeda.

Só Deus satisfaz a nossa sede profunda

“Uma sala grande para um pequeno bocado de pão. Deus faz-se pequeno como um bocado de pão e, por isso mesmo, é preciso um coração grande para o poder reconhecer, adorar e acolher. A presença de Deus é tão humilde, escondida, por vezes invisível, que precisa dum coração preparado, desperto e acolhedor para ser reconhecida. Se em vez duma grande sala, o nosso coração se assemelhar a um reposteiro onde conservamos tristemente as coisas velhas; se ele se assemelhar a um sótão para onde já há muito mandamos o nosso entusiasmo e os nossos sonhos; se ele se assemelhar a um quarto acanhado e escuro, porque vivemos apenas de nós mesmos, dos nossos problemas e amarguras, então será impossível reconhecer esta presença silenciosa e humilde de Deus”, disse o Papa, acrescentando:

Serve uma sala grande. É preciso alargar o coração. Precisamos de sair do pequeno quarto do nosso eu e entrar no grande espaço do encanto e da adoração. Este é o procedimento diante da Eucaristia, disto precisamos: a adoração. A própria Igreja deve ser uma sala grande. Não um círculo restrito e fechado, mas uma Comunidade com os braços abertos, acolhedora para com todos.

Na Eucaristia, contemplamos o Deus do amor

Por fim, a imagem de Jesus que parte o Pão. “É o gesto eucarístico por excelência, o gesto identificador da nossa fé, o lugar do nosso encontro com o Senhor que se oferece a fim de nos fazer renascer para uma vida nova. Este gesto é desconcertante: até então imolavam-se cordeiros para se oferecer em sacrifício a Deus, agora é Jesus que se faz cordeiro e se imola para nos dar a vida. Na Eucaristia, contemplamos e adoramos o Deus do amor. É o Senhor que não fraciona ninguém, mas fraciona-se a si mesmo. É o Senhor que não exige sacrifícios, mas sacrifica-se a si mesmo. É o Senhor que não pede nada, mas dá tudo”.

Para celebrar e viver a Eucaristia, também nós somos chamados a viver este amor. Porque não podes partir o Pão do domingo, se o teu coração estiver fechado aos irmãos. Não podes comer este Pão, se não deres o pão aos famintos. Não podes partilhar deste Pão, se não partilhas os sofrimentos de quem passa necessidade. No fim de tudo, inclusive das nossas solenes liturgias eucarísticas, restará apenas o amor. E, já desde agora, as nossas Eucaristias transformam o mundo, na medida em que nós mesmos nos deixamos transformar tornando-nos pão partido para os outros.

“A procissão com o Santíssimo Sacramento, caraterística da festa do Corpo de Deus, mas que no momento ainda não podemos realizar, nos lembra que somos chamados a sair levando Jesus. Sair com entusiasmo, levando Cristo àqueles que encontramos na vida quotidiana. Tornemo-nos uma Igreja com o cântaro na mão, que desperta a sede e leva a água. Abramos amorosamente o coração, para sermos a sala espaçosa e acolhedora onde todos possam entrar para encontrar o Senhor. Repartamos a nossa vida na compaixão e na solidariedade, para que o mundo veja, através de nós, a grandeza do amor de Deus”, concluiu o Papa.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

Apoio Cultural:

banner-paroquia-nossa-senhora-gracas
encontro-matrimonio

Campanha da Fraternidade 2021

CRISTO É A PAZ: DO QUE ERA DIVIDIDO, FEZ UM unidade".