Dia internacional contra as drogas: uso crescente durante a pandemia

"Informar para salvar vidas" é o tema desejado pela ONU para este dia. O relatório anual das Nações Unidas destaca um forte aumento no consumo de “Cannabis” e a afirmação da web para a venda de drogas. Vatican News ouviu a Comunidade italiana Papa João XXIII: o uso de drogas é uma resposta falsa a necessidades profundas.
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Cerca de 275 milhões de pessoas no mundo usaram drogas no último ano, de acordo com o Relatório Mundial publicado pelas Nações Unidas na véspera do Dia Internacional contra as Drogas 2021, celebrado neste sábado, 26 de junho. No mesmo período, mais de 36 milhões de pessoas sofreram de distúrbios relacionados ao uso de drogas.

Em aumento o uso da “Cannabis”

O relatório também destaca que a potência da “Cannabis” em particular quadruplicou nos últimos 24 anos e que, no entanto, a proporção de adolescentes que a percebem como perigosa caiu para 40%, apesar das evidências de que o uso da “Cannabis” está associado a uma variedade de danos à saúde e outros, especialmente entre os usuários regulares. A pandemia confirmou essas tendências juntamente com o registro de um aumento no uso não-médico de fármacos.

Informar para salvar vidas

“Uma menor percepção dos riscos do consumo de drogas tem sido ligada a taxas mais elevadas de uso, e os resultados do Relatório Mundial sobre Drogas 2021 destacam a necessidade de preencher a lacuna entre percepção e realidade para educar os jovens e salvaguardar a saúde pública”: foi o que disse a diretora Executiva do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Ghada Waly. O tema do Dia deste ano é “Compartilhar os fatos sobre drogas. Salva vidas”, explica uma nota da ONU, destacando a importância de fortalecer a base de evidências e dados para aumentar a conscientização, “para que a comunidade internacional, governos, sociedade civil, famílias e jovens possam tomar decisões informadas, direcionar melhor os esforços para prevenir o uso de drogas e enfrentar os desafios globais relacionados a este fenômeno”.

A evolução do mercado

Outra tendência é a venda de drogas na “dark web”. Este tipo de mercado vale US$ 315 milhões em vendas anuais, uma pequena fração das vendas totais, mas que está se expandindo rapidamente. De modo mais geral, o mercado globalizado na web tornará as drogas mais disponíveis em todo o mundo. O documento da ONU observa que “a resiliência dos mercados de drogas durante a pandemia demonstrou mais uma vez a capacidade dos traficantes de se adaptarem rapidamente a ambientes e circunstâncias em mudança”. Novas estratégias incluem remessas cada vez maiores de drogas ilícitas, um aumento na frequência de rotas terrestres e aquáticas, maior uso de aviões particulares para o transporte e um aumento no uso de métodos sem contato para a entrega de drogas aos usuários finais. O Relatório também observa que as redes de fornecimento de cocaína para a Europa estão se diversificando, empurrando os preços para baixo e a qualidade para cima, e assim o Velho Continente está exposto a uma maior expansão do mercado de cocaína.

O impacto da pandemia

Olhando para os impactos negativos da pandemia, a análise da ONU sugere que o aumento das dificuldades econômicas devido aos fechamentos torna o cultivo de drogas ilícitas mais atraente para as frágeis comunidades rurais. Além disso, a crescente desigualdade, pobreza e problemas de saúde mental, particularmente entre populações já vulneráveis, representam fatores que poderiam levar mais pessoas ao uso de drogas.

Barberis (Comunidade João XXIII): as drogas são a resposta errada às necessidades profundas

“Não há diminuição no uso de drogas, mas há uma mudança no fenômeno. No período da pandemia, a forma como elas são encontradas mudou. Mas lembremos de um elemento básico: o uso de drogas é uma tentativa errada de responder às necessidades profundas da pessoa, à necessidade de relacionamento e à busca de sentido na vida. Com a pandemia, a necessidade de compensar esta busca com substâncias aumentou”, explica ao Vatican News Meo Barberis, responsável pelas Comunidades Terapêuticas da Comunidade Papa João XXIII.

Alarme:  “Cannabis” mais poderosa

O expoente da associação fundada pelo padre Oreste Benzi aponta que a questão do uso de drogas saiu dos holofotes da mídia nos últimos anos, em parte como resultado do fenômeno da compatibilidade do consumo com a vida cotidiana que reduz a percepção social, “mas o problema – explica – é que se tornou crônico”. “O fenômeno afeta todas as faixas etárias, está surpreendentemente difundido entre os muito jovens”. Barberis também adverte sobre as distinções errôneas entre drogas leves e pesadas: “São duas categorias criadas pela imprensa mas que não têm base científica, as drogas são todas perigosas dependendo da quantidade e do indivíduo que as usa. A “Cannabis” em alguns sujeitos predispostos tem efeitos multiplicados por seis, sem mencionar que a que circula hoje tem quantidades de ingrediente ativo até dez vezes maiores do que as consumidas vinte anos atrás”.

Comunidades católicas de recuperação

O responsável pelas comunidades terapêuticas Papa João XXIII também lembra que a Itália possui uma rede de excelência para a recuperação e o tratamento dos dependentes de drogas.  Estas são “realidades nascidas no início dos anos 80 que devemos – diz ele – defender e promover”. A pandemia limitou sua operatividade, mas nós queremos e temos que continuar”. Particularmente importante é a contribuição oferecida pelas realidades católicas: “há oito anos – acrescenta Barberis – demos vida à Mesa Eclesial das dependências que se reúne na Cáritas e da qual participam as associações inspiradas no Evangelho. A adesão a Jesus se torna a força motriz para se envolver nestas situações. Jesus nos diz: “Eu sou o Caminho e a Verdade e a Verdade vos libertará”: a mensagem que levamos é a libertação da falsa resposta do uso de substâncias”.

Marco Guerra, Silvonei José – Vatican News

Marcio Brito
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