Chega a 8 número de igrejas incendiadas no Canadá após descoberta de túmulos indígenas

Cerca de mil corpos de alunos indígenas foram encontrados em antigas escolas religiosas, Jovens eram tirados de suas famílias e abusados nas instituições, Líderes indígenas querem que Papa se desculpe pelo genocídio
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Mais duas igrejas foram incendiadas no Canadá, chegando ao total de oito templos atingidos após o país descobrir o túmulo sem nome de indígenas em uma outra instituição religiosa.

Os últimos dois incêndios ocorreram nas igrejas de Morinville, ao norte de Edmonton (Alberta), e San Kateri Tekakwitha, perto de Halifax (Nova Escócia). Os casos estão sendo investigados como ataques.

“Estamos investigando como [eventos] suspeitos”, disse à AFP o cabo Sheldon Robb, da Royal Canadian Mounted Police (RCMP), sobre a igreja de Morinville.

Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, afirmou em entrevista coletiva que as “assustadoras descobertas” dos túmulos obrigam o país “a refletir sobre as injustiças históricas e contínuas que os povos indígenas enfrentam”.

O primeiro-ministro pediu que os canadenses participem da reconciliação da mesma forma que se empenharam para denunciar o ataque às igrejas. “A destruição de locais de oração não é algo aceitável e deve parar”, declarou.

E completou: “Devemos trabalhar juntos para corrigir os erros do passado. Todos têm um papel a cumprir”.

O descobrimento dos túmulos

Os incêndios começaram após a divulgação, em maio, de que haviam sido descobertos os restos mortais de 215 crianças em uma escola católica na Escola Residencial Indígena de Marieval, em Saskatchewan, na província de Colúmbia Britânica. Esse foi apenas a primeira de uma série de descobertas do tipo.

Na semana passada, os restos mortais de 751 pessoas não identificadas foram encontradas em uma unidade de ensino ligada aos católicos, mas que está localizada em uma área indígena.

Na última quarta-feira (30), mais 182 túmulos sem identificação foram descobertos em um terceiro internato, a Escola St. Eugene’s Mission, cerca de Crankbrook, também na Colúmbia Britânica. Nos túmulos estariam jovens com idade entre 7 e 15 anos.

As revelações apontam para a possibilidade de estas pessoas terem sofrido atrocidades no período em que crianças de povos nativos do Canadá eram retiradas de suas famílias e obrigadas a frequentar internatos administrados por entidades religiosas, sendo 70% destas católicas. Grande parte destes jovens nunca reencontraram a família.

As buscas da descoberta mais recente, em Cranbrook, começaram no ano passado, de acordo com a comunidade indígena Lower Kootenay. Lá, a Igreja Católica administrou uma escola, a pedido do governo federal, entre 1912 e o início dos anos 1970.

O relatório sobre a descoberta afirmou que alguns túmulos tinham apenas um metro de profundidade. Os corpos provavelmente são de membros de grupos da nação Ktunaxa, que inclui a Lower Kootenay e comunidades indígenas vizinhas.

Mais ou menos 150 mil jovens indígenas, inuítes e mestiços foram obrigados a se matricular em algumas destes 139 internatos até os anos 1990. Lá, estudantes eram abusados física e sexualmente por diretores e professores, além de serem separados de sua cultura e idioma.

No total, ao menos quatro mil jovens morreram por doenças ou negligência nessas escolas. Uma investigação concluiu que o Canadá cometeu genocídio cultural.

Frente às revelações, Trudeau pediu desculpas pela “política governamental prejudicial” e endossou os pedidos de líderes indígenas para que o Papa Francisco vá ao Canadá pedir desculpas em nome da Igreja Católica.

A Federação de Nações Indígenas Soberanas, que representa 74 povos indígenas em Saskatchewan, pede que a Igreja para cumpra sua promessa de indenizar ex-alunos com US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões).

A Igreja arrecadou e doou apenas C$ 34.650 (US$ 27.950 ou cerca de R$ 140 mil), informou em um comunicado.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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