A Transfiguração, o último Rafael

A festa da Transfiguração do Senhor contada e vivida através da última obra-prima de Rafael, preservada na Pinacoteca do Vaticano.
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O rosto de Cristo, transfigurado pela luz, resplandecente como o sol: é provavelmente o último rosto delineado pelo pincel de Rafael Sânzio antes de sua morte prematura aos 37 anos, em 6 de abril de 1520, atribuída a febres de malária.

O rosto do Cristo Transfigurado pintado por Rafael

O rosto do Cristo Transfigurado pintado por Rafael

No leito de morte de Raphael

Precisamente aquele olhar poderoso – que com sua carga vital atrai quem se detém diante da grande pintura da Transfiguração na Sala VIII da Pinacoteca Vaticana – acompanhou o trânsito, os últimos momentos da vida terrena, do grande pintor renascentista.

A pintura foi, de fato, colocada ao lado do leito de morte de Rafael. Vasari recorda como o contraste entre a vitalidade da obra e o corpo sem vida fizessem “a alma explodir de dor”.

 Rafael Sânzio (1483-1520), A Transfiguração, têmpera sobre madeira, 1516-20, Museus do Vaticano, Pinacoteca © Musei Vaticani

A mais bela, a mais divina

E é sempre o autor de “Vidas” quem define a “Transfiguração” como “a mais celebrada, a mais bela e a mais divina” entre as tantas pintadas por Rafael”. Encomendada em 1516 para a Catedral de São Justo em Narbonne, pelo então bispo, o cardeal Giulio de Medici, futuro Papa Clemente VII, juntamente com a Ressurreição de Lázaro pintada por Sebastiano del Piombo e agora preservada na National Gallery, a obra permaneceu na Itália onde foi colocado na Igreja romana de São Pedro in Montorio. Após o Tratado de Tolentino de 1797, foi levada pelas tropas de Napoleão para a França e depois restituída em 1816, quando passou a fazer parte das coleções pontifícias.

Rafael Sânzio (1483-1520), A Transfiguração, têmpera sobre madeira, 1516-20, Museus Vaticanoa, Pinacoteca ©Musei Vaticani

Rafael Sânzio (1483-1520), A Transfiguração, têmpera sobre madeira, 1516-20, Museus Vaticanoa, Pinacoteca ©Musei Vaticani

Teatralidade

Em uma composição teatral que vê os personagens dispostos em duas plataformas cênicas, Rafael conecta dois eventos da vida de Cristo narrados sucessivamente pelos evangelistas Marcos, Mateus e Lucas: no alto do Monte Tabor representa a Transfiguração, embaixo a cura da criança possuída. Os gestos enfáticos, o dinamismo das figuras e a utilização de múltiplas fontes de luz favorecem um intenso envolvimento emocional.

Rafael Sânzio (1483-1520), A Transfiguração, têmpera sobre madeira, 1516-20, Museus Vaticanos, Pinacoteca ©Musei Vaticani

Rafael Sânzio (1483-1520), A Transfiguração, têmpera sobre madeira, 1516-20, Museus Vaticanos, Pinacoteca ©Musei Vaticani

O prodígio do Tabor

No alto, em um céu onde se alternam brancos intensos e tênues, azul, cinza e amarelo, Cristo tem um rosto irradiante e suas vestes brancas são brilhantes. Ele está rodeado por Elias e Moisés que conversam com ele, enquanto Pedro, que alguns momentos antes havia pedido para fazer três tendas e permanecer na montanha, junto com seus companheiros Tiago e João, estão por terra, fica assombrado com a visão de uma nuvem que os envolve e pela voz do céu que diz: “Este é o meu filho muito amado, ouvi-o!”.

À esquerda, duas figuras assistem a cena: talvez os Santos Justo e Pastor, padroeiros de Narbonne, recordados pela Igreja no dia 6 de agosto, na Solenidade da Transfiguração; ou Agapito e Felice, diáconos de Sisto II, martirizados com ele no mesmo dia.

Luz e pathos

A luz crepuscular que remete à pintura veneziana separa a solenidade da Transfiguração da contrastante, perturbada, escura, quase caravaggiana e realista “cura dos possuídos” ao pé da montanha: os apóstolos e os familiares do menino possuído pelo mal, tensos e contrariados, são divididos em grupos opostos, gesticulando em poses agitadas e expressivas.

Durante séculos, pensou-se que as duas cenas eram atribuíveis a mãos diferentes: Rafael na parte superior e Giulio Romano na parte inferior. A maior parte dos estudos atribuiu para ambas a autoria de Rafael, mas a questão permanece aberta.

Rafael Sânzio (1483-1520), A Transfiguração, têmpera sobre madeira, 1516-20, Museus Vaticanos, Pinacoteca ©Musei Vaticani

Marcio Brito
Marcio Brito

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