Padre Chico e suas inesquecíveis homilias

Eis um pouco do que lembro das profundas homilias do Padre Chico – da paróquia São Sebastião de Amparo (SP) – que, agora, do céu, intercede por nós
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No dia 8 de agosto, celebramos quatro anos do passamento do Padre Francisco de Paiva Garcia, nosso grande amigo Padre Chico, à casa do Pai. Desejo, pois, a título de modesta homenagem, recordar trechos de algumas de suas inspiradoras homilias.

Na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 10,13, o Apóstolo das gentes afirma “Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação, ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela”. Daí, refletia o Padre Chico: “Quem diz que não pôde resistir à tentação está mentindo. Nada é maior ou mais forte do que Deus. Portanto, era, sim, possível, resistir à tentação e dela sair ainda mais fortalecido com os recursos da graça divina que recebemos”. E continuava: “Quando rezamos o Pai-Nosso, não pedimos a Deus que nos livre da tentação. Nunca devemos pedir isso! Afinal, como afirma Paulo, também a tentação tem um papel providencial nos sábios planos divinos. O que precisamos é fortalecer em nós – e insisto na importância da Eucaristia para isso – a força da graça a fim de não cairmos na tentação. Quem lhe resiste, não peca”.

Na Epifania do Senhor, narrada em Mateus 2,1-12, nosso padre explorava o versículo 12, a narrar que os reis magos “avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho”. Afirmava ele: “Por outro caminho tem não apenas o sentido comum de uma simples estrada que liga duas cidades, dois bairros, dois estados [Ele era detalhista sem ser repetitivo], mas a de um caminho novo na vida espiritual. Sim, quem, como magos, encontra Cristo nunca mais tem a mesma vida. Sai dos desencontros diários e volta para a casa por outro caminho, o de Deus”.

Zeloso sacerdote

No Evangelho conhecido como o da “Confissão de Pedro”, de Mt 16,13-20, o zeloso sacerdote nos levava às cenas vivas de tudo quanto fora proclamado. Fico com alguns recortes de sua fala: “Os apóstolos são conduzidos por Jesus à região de Cesareia de Filipe, distante de Jerusalém, sede do poder político e religioso do povo hebreu (termo caro ao nosso padre). Esses poderes, no entanto, não interessavam a Jesus; por isso, Ele leva os seus escolhidos a dedo a uma região mais afastada. Quer fazer-lhes uma pergunta essencial. E a faz em duas partes. Primeiro, indaga sobre o que o povo em geral pensa e fala d’Ele: ‘Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?’. E os Apóstolos respondem a Jesus tudo o que ouviam sobre Ele. E, aqui, entrava uma tirada interessante do antigo pároco da paróquia São Sebastião do Ribeirão: “Quando Jesus pergunta ‘Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?’, Ele está indagando simplesmente: ‘O que o povo anda falando de mim por aí?’. Porque alguns falam mesmo, não? Se alguém é pobre, se casa, convida muita gente, mas não faz festa, dizem que convidou só para ganhar presente; se é pobre, se casa, convida muita gente, mas faz festa, acusam: ‘De onde veio o dinheiro para a festa?’ Se alguém é pobre, se casa, mas não convida quase ninguém, falam: ‘Além de pobres, são metidos. Não custava convidar’. E assim vai. Se tem bens, se casa, convida muita gente, mas não faz festa, dizem: ‘Mão de vaca. Só queria presente. Nem um lanchinho teve’. Se tem bens, se casa, convida muita gente e faz festa, falam: ‘Com tanto dinheiro, fizeram uma festinha mixuruca – por melhor que seja – e saem falando mal’. Lidar com o povo não é fácil. Sempre haverá um ser humano insatisfeito”.

E arrematava: “Nesta segunda parte, está o contraste entre o pensamento humano e o divino: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’ Simão Pedro, respondendo, disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. Por sua inspirada resposta, ele se torna a pedra visível da Igreja com o poder de ‘ligar e desligar’ e nos ensina a pensar como Deus, não como os homens”.

Eis um pouco do que lembro das profundas homilias do Padre Chico – da paróquia São Sebastião de Amparo (SP) – que, agora, do céu, intercede por nós.

Aleteia

Marcio Brito
Marcio Brito

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