Padre Scalese: se houver condições, retornaremos a Cabul

Há quase sete anos no Afeganistão, o único sacerdote em Cabul, padre Giovanni Scalese, é o barnabita que conclui uma presença iniciada por desejo do Papa Pio XI há cem anos no país asiático. Hoje ele está na Itália, repatriado como milhares de pessoas forçadas a fugir depois que o Talibã assumiu o poder. Em 13 de outubro de 2017, contou, "consagramos a missão e o Afeganistão" ao Imaculado Coração de Maria. Estou "convencido de que Nossa Senhora zelará por este país como ela zelou por nós".
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Ele havia nos pedido para rezar pelo Afeganistão, lançando um apelo pelos microfones da Rádio Vaticano no início do advento do Talibã. Hoje ele volta a falar conosco em um cenário completamente transformado. Padre Giovanni Scalese, Superior da Missio sui iuris no Afeganistão, o único sacerdote católico presente no país, voltou à Itália e, com ele, outros católicos, como as irmãs de várias Congregações que até agora exerciam seu silencioso, mas frutífero serviço e cuidado com os mais frágeis.

No coração de Cabul, ele foi por muito tempo o guardião de toda a comunidade católica e compartilhou anos de grandes dificuldades relacionadas à segurança e à Covid. Agora tudo acabou, mas não a esperança de voltar: não há motivação política na presença católica em Cabul, mas apenas serviço, estes foram os acordos originais de cem anos atrás e assim foi feito. Neste sentido, repete-nos padre Scalese: “Se nos for dada a possibilidade de regressar, por que não? Não cabe a nós decidir quem deve governar o país”.

E depois a entrega com voz comovida: “Maria, que até agora nos protegeu, terá a mesma materna proteção para com o povo afegão e com uma nação que a ela consagramos”.

Padre Scalese, alguma vez o senhor chegou a pensar que teria que deixar o Afeganistão desta maneira? E quais são seus sentimentos hoje?

Certamente, ninguém imaginava ter que deixar o país desta forma. Eu poderia pensar em um revezamento depois de sete anos, seria previsível chegar a uma substituição, mas não dessa forma, pensava de uma forma mais normal. Mas a vida também nos reserva essas surpresas … O que mais sinto neste momento é a satisfação de que tudo aconteceu da melhor maneira, que conseguimos chegar com as irmãs e as crianças e que estamos todos bem. Agradecemos ao Senhor por isso. Lamentamos ter que deixar um país em extrema necessidade e não poder continuar a prestar nosso serviço. Esperamos que tudo se resolva em pouco tempo e que existam as condições para poder retomar o trabalho que a Igreja estava realizando no Afeganistão.

Como foi sua vida de sacerdote no Afeganistão? O senhor representou a Santa Sé no contexto da embaixada italiana, em um Estado confessional, sendo a capela o único ponto de referência para religiosos, religiosas e fiéis. Como o senhor viveu tudo isso?

Eu era o responsável pela Missão Católica no Afeganistão, mas foram anos muito difíceis porque não se podia realizar missão com tranquilidade. O próprio fato de não poder sair da embaixada, não porque alguém impedisse, mas porque não existiam condições de segurança para o fazer, e depois nos últimos dois anos, aos motivos de segurança, somaram-se os motivos sanitários que levaram ao lockdown total também na Embaixada e os fiéis não podiam nem mesmo ir à Missa. Foram anos difíceis e a minha foi uma presença, certamente, mas não pude exercer uma atividade pastoral como acontecia em outras épocas. As irmãs, por outro lado, puderam realizar seu trabalho social e de caridade até o fim, e agora, infelizmente, elas também tiveram que interromper tudo e sentimos muito por isso. No entanto, esperamos poder retomar em breve.

Poder-se-ia falar de “sementes” plantadas pelas ações, se não se pode falar de “evangelização” …?

É difícil falar de evangelização direta, ela é proibida pelos acordos feitos já há um século, quando foi permitida a presença de um sacerdote católico e de uma igreja dentro da Embaixada. Falamos de uma evangelização indireta, de um testemunho dado pela Igreja não só com um sacerdote, mas também com religiosos. Antes da presença das Irmãs de Madre Teresa e das religiosas da ONG Pro Bambini de Cabul, de fato, não podemos esquecer os sessenta anos de presença das Pequenas Irmãs de Jesus que tiveram que deixar seu trabalho depois de muito tempo. Também nesse caso tratou-se apenas de uma presença e de um testemunho, mas extremamente importante e fecundo.

Marcio Brito
Marcio Brito

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