A esponsalidade Cristo-Igreja, conclusão

"Cristo-Esposo não é mera comparação, mas algo que revela sua identidade. Igreja-esposa não mero simbolismo, mas que revela sua essência e missão."
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Depois de ter falado sobre as figuras da Igreja apresentadas na Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, padre Gerson Schmidt dedicou oito programas ao tema da esponsalidade de Cristo com a Igreja, fundamentando sua exposição nas Sagradas Escrituras e no Magistério da Igreja. Nesta quarta-feira, o sacerdote gaúcho nos traz a reflexão conclusiva sobre este tema:

“Acentuar o aspecto afetivo das relações entre Cristo e sua Igreja é uma vantagem do simbolismo nupcial. Distinta do Esposo, a Igreja não está, todavia, separada dele. Ao contrário, está toda orientada para ele, e nele se compraz. Um vínculo indissolúvel vem uni-los. Como os esposos terrestres formam uma só carne, assim Cristo e a sua Igreja formam um só espírito, pelo laço de um amor sempre jovem e beatificante. Em relação ao mistério esponsal de Cristo com a Igreja, pode-se afirmar que o mistério divino, em seu conteúdo cristológico, é o plano redentor de Deus que se realiza concretamente em Jesus Cristo. E esse plano de redenção consiste em que o Pai, movido por seu infinito amor, imolou seu Filho para que este pudesse conduzir ao Pai a humanidade redimida”[1].

Tal como Eva é criada por Deus através de Adão, Cristo criou para si a Esposa e, ao mesmo tempo, desposou-a, quando lhe comunicou sua vida, a vida nova de Deus, que brotou de sua morte, de seu lado aberto na cruz e sua entrega total. “Assim, o Esposo celestial ofereceu à sua Igreja o Espírito Santo. O fato de Jesus identificar-se como Esposo sublinha no seu amor o aspecto de doação e de íntima compenetração que tende a fazer de dois uma só coisa. Por outro lado, reconhecer a Igreja como Esposa é vê-la primariamente como aquele “tu” que se encontra diante do Cristo-Esposo, num mistério de distinção e de unidade com Ele. Na Encarnação, Cristo reúne em sua própria carne o divino e humano. Esta união é complementada através da doação de sua própria vida pela salvação de sua esposa, a Igreja. Porém, a paixão e a morte do esposo são coroadas por sua ressurreição”[2].

Assim, a morte de Cristo na cruz não é algo sem sentido, mas é redentora para a sua esposa. É uma morte fecunda, que gera muitos filhos para sua amada esposa, a Igreja. O mistério pascal de Cristo pode, então, ser considerado como as núpcias de Cristo com a Igreja. Encontram o seu ápice nos mistérios pascais da paixão, morte, ressurreição e glorificação do Senhor. Isto porque, pela sua Paixão, Cristo crucificado foi exaltado, recebendo, em sua humanidade, a plenitude do Espírito, que o converteu em Senhor da nova Criação redimida. Ser “esposa de Cristo” é essencial à identidade da Igreja. Ela não é nada sem o Cristo, que não cessa de amá-la e de purificá-la cada dia com seu sangue, pois ela não está a salvo das infidelidades de que fala sobretudo o Antigo Testamento. Mas, ela está certa do amor de seu esposo. Ser “esposa de Cristo” não nos fala somente da intimidade única que existe entre o Cristo e a Igreja, mas os esponsais divinos implicam também, e inseparavelmente, nossa incorporação a Cristo pelo batismo. Se a Igreja é purificada, cada um de nós o é também. Deus não tem outro objetivo senão a comunhão de vida conosco.

Dedicamos aqui um bom tempo para aprofundar esse tema da esponsalidade de Cristo com sua amada Igreja, porque, como dissemos no início, entendemos ser não somente uma mera imagem, analogia bíblica, senão uma realidade essencial que indica algo que é central de seu próprio ser e mistério, merecendo ocupar um lugar de maior destaque na teologia e na vida da Igreja. Cristo-Esposo não é mera comparação, mas algo que revela sua identidade. Igreja-esposa não mero simbolismo, mas que revela sua essência e missão.

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

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[1] A esponsabilidade de Cristo com a Igreja. Teocomunicação, Porto Alegre, v. 38, n. 160, maio/ago. 2008, P.250-251.

[2] Idem.

Marcio Brito
Marcio Brito

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