A Igreja no Brasil recorda o Beato Francisco de Paula Victor

“Os grandes homens não morrem! Deixam de existir na terra, para viver no coração dos povos e da História”. Assim foi Padre Victor, ex-escravo, sacerdote, homem de virtudes nobres e simples, humilde pregador do Evangelho e assíduo educador da juventude.
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Francisco nasceu em Campanha (MG), no dia 12 de abril de 1827, na fazenda de Dona Mariana, sua madrinha e educadora. Uma semana depois, sua mãe, Lourença, escrava, o batizou com o nome de Francisco de Paula Victor.

Ainda jovem, Francisco aprendeu o ofício de alfaiate. Mas, aos 21 anos de idade, sentiu a vocação de ser padre. Assim, em 1848, aproveitando a visita pastoral de Dom Antônio Ferreira Viçoso, Bispo de Mariana, o jovem alfaiate foi ter com ele, confessando-lhe sua inclinação para a vida religiosa. Sentindo sua boa intenção, o Bispo incentivou o jovem e o aconselhou a estudar latim e música.

No dia 5 de junho de 1849, Dom Viçoso o recebeu, com alegria, no Seminário de Mariana.

A sua entrada no Seminário causou perplexidade aos demais seminaristas por terem que conviver com um negrinho feito. Então, começaram a desprezá-lo e a dar-lhe os trabalhos mais humildes.

No entanto, aquele negro tinha uma alma cândida. Tanto que foi ordenado, pelo Bispo de Mariana, no dia 14 de junho de 1851, em Campanha, onde foi coadjutor. No ano seguinte, foi transferido para a cidade mineira de Três Pontas, onde foi Vigário Encomendado. Ao assumir suas atividades paroquiais, começou a visitar os enfermos, amparar os inválidos, zelar pela infância desvalida e atender as necessidades do povo.

Trabalho pastoral

Sua dedicação à ação pastoral e suas virtudes atraiu a atenção de todos, sem se importar pelas críticas de alguns. Catequizou e instruiu seu povo, mediante a criação de uma escola chamada “Sagrada Família”. Estudaram nesta escola, entre outros, alunos que se tornaram personalidades de alta projeção social. Padre Victor instruiu também muitos filhos de famílias humildes, que se tornaram grandes homens de cultura e de importantes profissões.

Em seu trabalho pastoral, Padre Victor “vivia de esmolas e dava esmolas”, porém sempre pregava ao povo as virtudes da fé, esperança, fortaleza, prudência, justiça, obediência, castidade,  temperança, humildade, temor a Deus e, sobretudo, a caridade.

Amava a Deus na pessoa dos seus semelhantes, mas, de modo especial, na pessoa dos mais indigentes. Era um homem bom, mas enérgico, apesar da sua extrema pobreza. Trabalhou na paróquia de Três Pontas durante cinquenta e três anos, até o fim da sua vida, em 23 de setembro de 1905.

Morte e Beatificação

O corpo do Padre Victor foi velado por três dias pelos seus inúmeros paroquianos; seu corpo, intacto, exalava um agradável perfume. Seus restos mortais foram sepultados em uma capela da Matriz Nossa Senhora d’Ajuda, que ele mesmo construiu em Três Pontas. Ainda hoje, toda a cidade o considera seu “Anjo Tutelar”.

Padre Francisco de Paula Victor, sacerdote diocesano, que viveu entre 1827 e 1905, foi beatificado no dia 14 de novembro de 2015, em Três Pontas, Sul de Minas Gerais. Cerca de 100 mil fiéis acompanharam a cerimônia, presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, então Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, representante do Papa Francisco.

Na ocasião, o Papa disse: “Pároco generoso e excelente na catequese e na ministração dos Sacramentos, distinguiu-se, sobretudo, pela sua grande humildade. Possa seu extraordinário testemunho servir de modelo para todos os sacerdotes, chamados a ser humildes servidores do Povo de Deus” (Papa Francisco, 2015).

Milagre por sua intercessão

O milagre reconhecido pela comissão católica, por intercessão do Padre Victor, coube a uma mulher de Três Pontas, que conseguiu engravidar em 2010, contrariamente aos laudos da medicina. A professora Maria Isabel de Figueiredo sonhava ser mãe, mas não podia engravidar. Após dois anos de tratamentos e muitas desilusões, dirigiu-se em oração ao Padre Victor, durante uma novena, pedindo-lhe a sua intercessão, como ela mesma conta:

“Pedi, na novena de 2009, para que o Padre Victor intercedesse, junto a Deus, para que eu engravidasse, porque meu sonho era ser mãe. Segundo a tradição da novena, escrevi um pedido que, depois, seriam queimados no último dia da novena, para que a fumaça se elevasse aos céus. Fiz este meu pedido escrito, com muita fé, na esperança que, um dia, eu pudesse receber a graça. De fato, em agosto de 2010, recebi a notícia de que eu estava grávida, sem nenhum tratamento”.

Contrariamente às previsões médicas, Maria Isabel ficou novamente gravida de outra filha: “Esta segunda gravidez comprova, mais uma vez, o milagre que recebi, graças ao Beato Padre Victor”, escreve a professora agradecida.

Segundo a médica, Dra. Márcia Andreia, que assistiu ao parto de Maria Isabel, ”a gravidez da professora era impossível, de forma natural, porque ela não tinha uma das trompas e a outra estava completamente obstruída”.

Oração para a Canonização do Padre Víctor

Ó Pai, que concedestes ao vosso Servo, o Beato Padre Victor, ser amigo dos pobres, dos humildes e dos simples, e lhe destes a graça de ser vosso fiel servidor, na busca do Reino dos Céus, nós vos pedimos que a Igreja possa reconhecer, oficialmente, as suas virtudes e o proponha como nosso modelo e protetor.

Por ter sido exemplo de pobreza, simplicidade, caridade para com os mais pobres e serviço dedicado à Igreja, nós vos pedimos que, pela sua valiosa intercessão, possamos obter a graça que mais necessitamos (…).

Concedei-nos também que, a seu exemplo, tenhamos no coração um ardente amor por Vós e ao próximo. É o que vos pedimos, por meio de Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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