O perigo espiritual de estar sempre cansado(a)

A fadiga crônica impede o amor, a doação, a generosidade. Às vezes, só precisamos parar, desconectar e descansar
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Costumo reclamar e dizer que estou sempre cansado. Que a vida que levo exige muito de mim e eu não consigo lidar, que as coisas não são do jeito que eu quero.

Mas vivo reagindo sem tomar a iniciativa e controlar minha vida. Portanto, corro o risco de viver sempre cansado.

Minha reclamação: tudo pesa sobre mim

Tem gente que é especialista em mostrar o cansaço: “Tive um dia pesado”, comentam entre suspiros.

Talvez eu tenha daqueles dias em que sinto que não estou chegando a lugar nenhum. Ou não posso fazer bem tudo o que é exigido de mim.

Vejo que não estou à altura das expectativas. Um dia pesado, cansativo, cheio de demandas. Um daqueles dias em que tudo pesa sobre mim.

Não consigo imaginar Jesus reclamando à noite com seus discípulos e mostrando-lhes como ele se esforça para fazer o bem. Não, Jesus não reclama.

Ele está simplesmente cercado por seus discípulos e algumas pessoas. Eles pedem para curá-los. Eles pedem para lhes dar uma palavra de esperança.

Um cansaço saudável

É claro para mim que o cansaço esgota minhas forças. Isso me desencoraja, tira minha esperança.

E sei muito bem que só se Deus agir sobre mim valerá a pena o meu cansaço.

Se Deus não age em mim com seu poder e não torna minhas obras frutíferas, nada posso fazer.

O cansaço saudável que atordoa meu corpo depois de ter dado tudo não é ruim, é bom.

Saber descansar

Mas também vejo que, às vezes, me canso porque não sei descansar, porque não me desligo e ignoro as minhas vozes interiores que me pedem para parar. Porque isso pode ser a única solução para problemas ainda sem resposta.

Eu estava lendo outro dia uma reflexão precisa:

“A sabedoria autêntica oferece apenas uma resposta possível para cada situação. Por enquanto, o que você precisa fazer é descansar e cuidar de si mesmo até encontrar uma solução. Volte para a cama para que, quando a tempestade chegar, você tenha forças para enfrentá-la. E a tempestade virá. Em breve. Mas não esta noite. Portanto: volte para a cama.”

Elizabeth Gilbert, “Comer, rezar e amar”

Quando estou cansado, tenho que aprender a descansar. E parar de fazer tudo que o mundo exige de mim.

Para poder ser forte para me entregar.Para ser capaz de economizar forças quando os tempos difíceis vierem.

Cuidado com a fadiga crônica

O cansaço crônico me impede de amar, de me entregar, de ser generoso. Desconectar e descansar é tudo o que eu preciso.

Levar em conta os alarmes da minha alma, do meu corpo é uma maneira de servir melhor. Eu não sou Deus.

Sou apenas um homem que quer chegar a tudo. Às vezes, em uma ânsia doentia de ser reconhecido e valorizado.Nem tudo posso fazer. Nem tudo me corresponde.

As demandas de Jesus

Fico impressionado com aquele momento na vida de Jesus, quando Ele sai de Jericó depois de ter pregado e curado. E ele sai cercado por algumas pessoas.

Oprimido por demandas e solicitações. Oprimido pelo homem que tem uma sede infinita.

E, naquele momento, um cego pede misericórdia. Um homem cego de nascença, abandonado e rejeitado, que não tem a quem pedir misericórdia.

Ele vê Jesus e grita: “Tem misericórdia de mim”. Clame a Jesus, o compassivo, o misericordioso. A Jesus que é misericordioso. Como isso poderia acontecer?

Eu olho para Jesus tentando fazer algo de sua misericórdia grudar em mim hoje. Sinto-me longe daquele olhar compassivo.

Eu não ouço a voz de quem grita. E não tenho compaixão de ninguém que me magoe ou me machuque.Não sou misericordioso com aqueles que não fazem as coisas como eu esperava.

A misericórdia

Gosto do olhar do Papa Francisco para Deus:

“Confie na memória de Deus: a sua memória não é um disco rígido que regista e armazena todos os nossos dados, mas um coração terno e compassivo, que se alegra por eliminar definitivamente qualquer vestígio do mal”.

Jesus não considera minha maldade. Ele me abraça com sua misericórdia para superar minha miséria.

Ela para para me tirar da lama e me vestir com vestidos brancos que eu não mereço. Assim é sua misericórdia e compaixão.

Aleteia

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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