Enxerguemos a vida com o olhar da graça

“O cego respondeu: ‘Senhor, eu quero enxergar de novo’. Jesus disse: ‘Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou’” (Lucas 18,41-42).
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Gosto demais desse relato do cego de Jericó! Ele me faz refletir o que nos leva (nós que enxergamos) a nos tornarmos cegos. Na realidade física, você vê que muitas pessoas que enxergavam bem, depois de um certo tempo, já não enxergam tão bem; a própria idade, às vezes, a falta de cuidado ou um acidente… Enfim, fisicamente, até pouco tempo, eu enxergava bem todas as coisas, mas, agora, a idade chegou, e tenho que usar óculos para poder enxergar.

Esse cego está pedindo para enxergar de novo. Ele já não está enxergando mais nada! Mas olho para o mundo espiritual, olho para a realidade emocional e mental da vida em que vivemos; não é só o olhar físico que vamos perdendo ao passar do tempo; vamos, muitas vezes, perdendo a visão sobrenatural, a visão da graça; passamos a ter uma visão tão mundana e tão humana das coisas, que não enxergamos mais as coisas com o olhar da graça, com o olhar de Deus.

Precisamos aprender com esse cego que nós precisamos enxergar de novo, enxergar com o olhar da graça para que a vida não vire uma desgraça

Há pessoas, inclusive, que vivem na outra dimensão, só enxergam desgraças, só enxergam coisas más, coisas azedas e amargas, é de acordo com aquilo que ele tem na visão. Se a sua visão de vida é pessimista, tudo que você vê é no olhar do pessimismo. Se, ao conversar com essa pessoa, nada presta, nada vai dar certo (mas você está bem), ela o coloca para baixo, porque ela só consegue enxergar as coisas negativas. A pessoa que passou por uma frustração e não foi curada, tudo ela enxerga na óptica da frustração, ela frustrou-se e quer levar também os outros a enxergar a vida como uma grande frustração.

Olhando para esse cego, coloco-me também de joelhos aos pés de Jesus suplicando: “Jesus, Filho de Davi, por favor, dê-me a graça de enxergar de novo. Enxergar a Sua presença, enxergar o Seu amor, enxergar a Sua ação, enxergar a Sua misericórdia. Dê-me a graça de enxergar minhas virtudes, a possibilidade de superação que preciso ter a cada dia”.

Que beleza são as pessoas que sabem, mesmo vivendo situações complicadas na vida, enxergar a vida a partir de uma outra óptica. É aquela pessoa que sofreu um acidente e pode olhar para esse acidente com uma tragédia, ou ela pode olhar para ele como uma possibilidade de superação. Vejo pessoas, muitas vezes, acidentadas ou com alguma debilidade física enxergando a vida muito melhor do que as pessoas que tem duas pernas, dois braços, mas estão cegas para tudo, vivem sempre reclamando, sempre azedando, vivem sempre olhando as coisas, e está tudo muito mal.

Que beleza ver aquela pessoa que vive numa vida, muitas vezes, materialmente pobre, mas em tudo enxerga a graça, em tudo ela agradece, em tudo ela vê a bondade, a mão de Deus, a ação de Deus e sabe recomeçar. Que beleza é aquela pessoa que tem pouco para viver, mas ela tem um olhar de partilha, de amor e de bondade que tudo para ela se torna grande.

Que mesquinho é aquele que tem tudo na vida, mas para ele nada presta, nada sabe ver de uma óptica de bondade, ele não sabe ver a necessidade do outro, não sabe repartir o que tem, ele vive se azedando, vive se estragando porque vive reclamando e murmurando.

Precisamos aprender com esse cego que nós precisamos enxergar de novo, enxergar com o olhar da graça, para que a vida não vire uma desgraça; olhar com o olhar de Deus para que a nossa vida seja conduzida na óptica da fé e da graça.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

 

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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