A Igreja, testemunha de amor

"O testemunho de que precisa o mundo atual é mais do que nunca o testemunho do duplo amor: se o cristão não ama a Deus com um amor filial de criatura, não poderá mais reconhecer ativamente todos os homens como seus irmãos. Os discípulos de Jesus tão pouco serão reconhecidos pelos sinais externos ou porque proclamam o nome de Jesus. É a caridade, o amor, o novo mandamento e também o novo sinal."
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Vede como se amam!” (Apologeticus, 39), era a exclamação de Tertuliano ao testemunhar a seriedade com que os primeiros cristãos procuravam viver as palavras do Mestre:

“Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Ora, eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito. (Mt 5, 43-48)”

Ao falar sobre o testemunho das primeiras comunidades cristãs descritas nos Atos dos Apóstolos, o Papa Francisco destacou na homilia na Casa Santa Marta em 29 de abril de 2014 “três peculiaridades do povo renascido”: “’Tinha um só coração e uma só alma’. A paz. Uma comunidade em paz. Isso significa que entre eles não havia lugar para intrigas, para a inveja, para as calúnias, para a difamação. Paz. O perdão: ‘O amor cobria tudo’”, e “para qualificar uma comunidade cristã, devemos nos questionar como é a atitude dos cristãos”.

Dando sequência a sua série de reflexões sobre a Igreja na Constituição Dogmática Lumen Gentiumpadre Gerson Schmidt* nos fala hoje sobre ”Igreja, testemunha de amor”:

“Ao ingressar na Igreja pelo batismo, o homem é colocado na condição objetiva que lhe permite – se toma os meios necessários – amar como Cristo amou. No número 09 da LG, vemos a necessidade da Igreja como comunidade de amor, ser testemunha, sinal desse amor redentor de Cristo. “Aos que se voltam com fé para Cristo, autor de salvação e princípio de unidade e de paz, Deus chamou-os e constituiu-os em Igreja, a fim de que ela seja para todos e cada um sacramento visível desta unidade salutar”(LG, 09). O amor que o cristão é chamado a viver é o amor cujo exemplo definitivo conhecemos uma vez por todas: o cristão é chamado a amar como Cristo amou. Somos todos filhos adotivos, pela Páscoa de Cristo, sua entrega total na cruz por amor à humanidade. O filho adotivo – que somos todos – sabe que dele recebe todos como irmãos e que deve estabelecer com cada um deles o laço do amor fraterno. Para amar a Deus e aos homens como filho da família do Pai, a criatura, introduzida nesta condição filial deve respeitar a criação, que caminha em sintonia e em unidade querida pelo Criador e Pai.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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