Frei Darlei: Testemunhas da Palavra

O Papa pede-nos para rezar “pelos catequistas, chamados a anunciar a Palavra de Deus, para que sejam testemunhas da Palavra com coragem e criatividade na força do Espírito Santo”.
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Dezembro é um mês liturgicamente muito rico, uma oportunidade para nos aproximarmos ainda mais da Palavra de Deus e dos sacramentos, sendo o Advento o tempo especial que a Igreja nos oferece para nos prepararmos bem para receber o nosso Senhor no Natal. Praticamente todos nós descobrimos o significado do Advento, do Ano litúrgico e de tantas outras coisas relacionadas à fé através de nossos catequistas. Exatamente esses grandes educadores na fé o Papa Francisco nos convida a ter presente nas nossas orações durante o mês. O Papa pede-nos para rezar “pelos catequistas, chamados a anunciar a Palavra de Deus, para que sejam testemunhas da Palavra com coragem e criatividade na força do Espírito Santo”.

Essa intenção de oração se reveste de significado ainda mais profundo quando a associamos à recente instituição do ministério laical de Catequista, anunciada pelo próprio Papa Francisco no último 10 de maio através da sua carta apostólica Antiquum ministerium (AM). Nessa carta sob forma de motu proprio, o ministério de catequista vem indicado pelo Sumo Pontífice como um dos primeiros serviços da Igreja primitiva elencados por Paulo no capítulo 12 da sua primeira epístola aos Coríntios. O Papa afirma que: “Desde os seus primórdios, a comunidade cristã conheceu uma forma difusa de ministerialidade, concretizada no serviço de homens e mulheres que, obedientes à ação do Espírito Santo, dedicaram a sua vida à edificação da Igreja. (…) É possível reconhecer, dentro da grande tradição carismática do Novo Testamento, a presença concreta de batizados que exerceram o ministério de transmitir, de forma mais orgânica, permanente e associada com as várias circunstâncias da vida, o ensinamento dos apóstolos e dos evangelistas.” (AM, n. 2)

Francisco reconhece ainda que “nos nossos dias, há muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé” (AM, n. 3). Em regiões como a Amazônia, onde muitas comunidades não contam com a presença regular de um sacerdote, são os catequistas, entre outros ministros, que educam e nutrem na fé milhares de crianças e adultos. O Sínodo dos bispos para a Amazônia e a sua exortação apostólica pos-sinodal apontam-nos tantos exemplos que valeriam a pena serem recordados, mas o que gostaria de ressaltar aqui é a importância do reconhecimento do catequista como ministério, ligado à valorização do laicato e da sua missão, e que ao mesmo tempo reforça a identidade do catequista – e do leigo em geral – como membro ativo da evangelização na Igreja.

Fazendo ligação com o novo Diretório para a catequese, publicado em 2020 pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, e com a sua primeira exortação apostólica, a Evangelii gaudium, o Papa afirma que o catequista é um especialista na arte do acompanhamento: é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Antiquum ministerium destaca que “o catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada batizado esteja sempre pronto «a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça».” (AM, n. 6) O Diretória para a catequese oferece os princípios teológico-pastorais fundamentais e algumas orientações gerais que são relevantes para a práxis catequética no nosso tempo através de 12 capítulos divididos em três partes: 1. A catequese na missão evangelizadora da Igreja, 2. O processo catequético, 3. A catequese nas Igrejas particulares.

No mesmo parágrafo da Antiquum ministerium apenas citado (n. 6), Francisco fala sobre a necessidade da oração para fortalecer e assegurar a identidade do catequista. Alerta para o fato que “só mediante a oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade” o ministério do catequista, daí a importância de todos acompanharmos o Papa na sua intenção para este mês e assim sustentarmos também através das nossas orações este ministério, para que os catequistas possam continuar a ser “testemunhas da Palavra com coragem e criatividade na força do Espírito Santo” em cada paróquia.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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