Igreja, sacramento universal de salvação

"A Igreja é sacramento de salvação porque “Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, pois 'aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na cruz', quanto sobretudo sob as espécies eucarísticas. Presente está por sua força nos sacramentos, a tal ponto que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza” (CIC, 1088).
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“Mas porque a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano, pretende ela, na sequência dos anteriores Concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos laços sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo.”

Assim começa a Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, ao falar em seu capítulo primeiro sobre “O Mistério da Igreja”. Na mesma linha, padre Gerson Schmidt* nos propõe hoje a reflexão “A Igreja, sacramento universal de salvação”:

“A Lumen Gentium, no número um da constituição, utiliza a palavra “sacramento”, referindo-se à Igreja. A Igreja é no mundo presente o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens, como aponta também claramente o catecismo da Igreja Católica (CIC, 780). O Catecismo aborta, em um dos seus títutos, esse tema: A IGREJA – SACRAMENTO UNIVERSAL DA SALVAÇÃO (774-776), que queremos hoje aprofundar.

A palavra grega “mysterion” foi traduzida para o latim por dois termos: “mysterium” e “sacramentum”. O termo “sacramentum” exprime mais o sinal visível da realidade escondida da salvação, indicada pelo termo “mysterium”. A humanidade de Cristo aparece como um “sacramento”, isto é, o sinal e o instrumento da sua divindade e da salvação que ele traz (CIC, 515, 609). A obra salvífica de humanidade santa e santificante de Cristo é o sacramento da salvação que se manifesta e age nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente denominam também “os santos mistérios”). Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais o Espírito Santo difunde a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja, que é seu Corpo. Os sacramentos são ações do Espírito Santo Operante no corpo de Cristo, que é a Igreja; são “as obras-primas de Deus” na Nova e Eterna Aliança (CIC, 1116). A Igreja contém, portanto, e comunica a graça invisível que ela significa. É neste sentido analógico que ela é chamada de “sacramento”.

A Igreja é sacramento de salvação porque “Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, pois ‘aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na cruz’, quanto sobretudo sob as espécies eucarísticas. Presente está por sua força nos sacramentos, a tal ponto que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza” (CIC, 1088).

A LG aponta assim: “A Igreja é, em Cristo, como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”. E diz o Catecismo: “Ser o sacramento da união íntima dos homens com Deus é o primeiro objetivo da Igreja. Visto que a comunhão entre os homens está enraizada na união com Deus, a Igreja é também o sacramento da unidade do gênero humano. Nela, esta unidade já começou, pois ela congrega homens “de toda nação, raça, povo e língua” (Ap 7,9); ao mesmo tempo, a Igreja é “sinal e instrumento” da plena realização desta unidade que ainda deve vir”(CIC, 775).

Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. “Nas mãos dele, ela é o instrumento da Redenção de todos os homens ” o sacramento universal da salvação” pelo qual Cristo “manifesta e atualiza o amor de Deus pelos homens”. Ela “é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade” que quer que o “gênero humano inteiro constitua o único povo de Deus, se congregue no único Corpo de Cristo, seja construído no único templo do Espírito Santo” (CIC776). O Reino de Cristo já está misteriosamente presente na Igreja”, germe e início deste Reino na terra (CIC, 669).”

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

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