Cardeal Gambetti: a Igreja não é dos perfeitos, mas das testemunhas

Na missa celebrada para os funcionários da Santa Sé, o Cardeal Vigário do Papa para a Cidade do Vaticano, sublinha a importância de acolher o Natal com o coração aberto e convida todos a mergulharem na vida dada por Deus e se tornarem "vida nascente"
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Nos bancos da Basílica de São Pedro estavam os funcionários do supermercado, os jardineiros, os responsáveis pelos tesouros dos Museus do Vaticano. Na manhã desta quinta-feira (16/12), esta variada humanidade de funcionários do Vaticano participou da Missa de preparação para o Natal, celebrada pelo Cardeal Mauro Gambetti, Vigário Geral do Papa para a Cidade do Vaticano. “Uma missa – sublinha o franciscano – para reafirmar a importância da missão de servir juntos a Igreja e o Papa”.

Ouça e compartilhe!

Deus e a vida que explode

Em sua homilia, o cardeal recordou as páginas de Isaías e a próxima pertinência daquele “breve momento em que vos abandonei”. Estas palavras refletem crises como as vividas pela “Igreja, que”, disse o Cardeal Gambetti, “parece estar passando por momentos de desânimo e escuridão”, mas o Natal é a novidade que vem para perturbar porque “Deus está perto e a vida explode exuberante, a alegria é incontrolável”. Envolve a ternura, a compaixão e o amor do Senhor “em uma relação tão íntima que se manifesta palpável e poderosamente em uma relação conjugal”. “Deus, o autor da vida, entrega-se a cada um para fazer sua vida explodir em cada um de nós. O Natal – sublinha – é a vida sempre nascendo, é Deus em nós”.

Igreja de testemunhas não de perfeitos

O desejo do Cardeal Gambetti é que esta vida habite cada vez mais no coração de cada um de nós, porque “esta missão que nos foi confiada juntamente com o Santo Padre é ser guardiões da fé, da Igreja Católica e testemunhas da fé”, uma missão a ser levada ao mundo com uma clareza cada vez mais vívida. O cardeal não esconde os sentimentos que habitam no coração de cada um, como a desolação, o medo e a vergonha; sentimentos que a humanidade experimenta, mas também a Igreja, que é afetada por eles. “Mesmo nós aqui”, acrescenta, “talvez sejamos especialmente assim quando ouvimos e vemos comportamentos incorretos por parte de alguém, quando ouvimos com insistência sobre escândalos. Portanto, gostaria que compartilhássemos a profecia que nos é dirigida, que a compreendêssemos. A Igreja não é o povo dos perfeitos, mas o povo dos crentes. Quem não se afastou de Deus por obtusidade, por medo, por orgulho, Pedro é uma testemunha de fé, não da perfeição”.

Escolher quem ser

“Quando chega o Natal, é necessário tomar uma posição porque se pode ser como as pessoas que escutam João, ou como os doutores da lei que não acreditam e não se deixam batizar, que não permitem que Deus realize seu plano de salvação para eles”. Daí o convite para escolher quem se tornar, quem ser: “irados como Herodes; distraídos como os habitantes de Belém que não acolhem Maria e José; humildes trabalhadores na espera da vida como os pastores ou como Maria e José, abertos à vontade de Deus”. “Ao invés de perder tempo com murmurações”, explica o Cardeal Gambetti, “ou desperdiçando energia no poço da tristeza ou na vacuidade dos juízos, é necessário levantar os olhos do coração, deixando-se agarrar pela promessa de redenção, abrindo-se às surpresas da vida”. Para ir ao encontro do próximo Natal, o desejo do Cardeal é deixar-se imergir em sua vida e “tornar-se o lugar, o altar, o tálamo do matrimônio com Deus e gerar nova vida com ele”. Que se torne, portanto como “Maria, José, como os pastores, acolhendo a vida nascente porque desta forma nos tornamos capazes de difundi-la cada vez mais, de fazê-la crescer em nosso trabalho, mas também na família e nos ambientes em que vivemos”.

Benedetta Capelli – Vatican News

Marcio Brito
Marcio Brito

DaQui Agência Digital

Apoio Cultural: