Terceira Pregação do Advento – texto integral

Na presença do Santo Padre, o pregador da Casa Pontifícia propôs à Cúria Romana reunida na Sala Paulo VI a terceira Pregação do Advento.
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“Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”. É sobre o significado e a importância destas últimas palavras – “nascido de uma mulher” – que queremos refletir nesta última meditação, também pela sua pertinência com a solenidade do Natal que estamos prestes a celebrar.

Na Bíblia, a expressão “nascido de uma mulher” indica a pertença à condição humana feita de fraqueza e mortalidade[1]. Basta tentar tirar estas palavras do texto para nos darmos conta de sua importância. O que seria o Cristo sem elas? Uma aparição celeste, desencarnada. Também o anjo Gabriel “foi enviado” por Deus, mas para depois retornar ao céu como tinha descido dele. A mulher, Maria, é aquela que “ancorou” para sempre o Filho de Deus na humanidade e na história.

Assim leram as palavras de Paulo os Padres da Igreja que tiveram que combater contra a heresia gnóstica e docetista. Justamente eles põem em evidência o paralelismo que há entre a expressão “nascido de uma mulher” e aquela que o próprio Paulo usa em Romanos 1,3: “descendente de Davi segundo a carne”[2]. Inácio de Antioquia tem uma expressão que faz estremecer: diz que Jesus “é (nascido) de Maria e de Deus”[3], quase como se nós disséssemos de alguém que é filho de tal homem e de tal mulher. Na realidade, em todo o universo, Maria é a única que pode se dirigir a Jesus com as mesmas palavras do Pai celeste: “Tu és o meu filho, eu te gerei”.

O Apóstolo – faz notar Tertulliano – não diz “factum per mulierem”, mas “factum ex muliere”, isto é, nascido de mulher, não através da mulher. O motivo é que, no meio-tempo, a heresia docetista tinha evoluído e assumido uma veste menos radical. Sustentava que Jesus tinha sim uma carne, mas de origem celeste, não terrestre, passada através de Maria como através de um canal, tendo nela uma via, não uma mãe[4]. São Leão Magno colocará a expressão paulina “nascido de uma mulher” no coração do dogma cristológico, escrevendo no Tomo a Flaviano que Cristo é “homem pelo fato de que ‘nasceu de mulher e nasceu sob a lei’… O nascimento na carne é clara prova da sua natureza humana”[5].

Também a propósito da expressão paulina “nascido de uma mulher”, vemos realizar-se o grande princípio exegético formulado por São Gregório Magno, ou seja, que “a Escritura cresce com quem a lê”[6]. Já Santo Irineu lê Gálatas 4,2, “nascido de uma mulher”, à luz de Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher”[7]. Maria aparece como a mulher que recapitula Eva, a mãe de todos os viventes! Não se trata de uma aparição marginal que entra em cena para depois desaparecer no nada. É a ancoragem de uma tradição bíblica que atravessa de um lado ao outro toda a Bíblia. Começa com a mulher “filha de Sião” que é a personificação de todo o povo de Israel e termina com a mulher do Apocalipse, “vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés” (Ap 12,1), que representa a Igreja.

“Mulher” é o termo com o qual Jesus se dirige a sua mãe em Caná e sob a cruz. É difícil, para não dizer impossível, não ver um elo, no pensamento de João, entre as duas mulheres:  a mulher simbólica que é a Igreja e a mulher real que é Maria. Tal elo é colocado na Lumen gentium do Vaticano II que, justamente por isso, trata de Maria dentro da constituição sobre a Igreja.

Cristo deve nascer da Igreja

Há algum tempo, fala-se muito da dignidade da mulher. São João Paulo II escreveu uma Carta Apostólica sobre o tema, Mulieris dignitatem. Mesmo com toda a dignidade que nós, criaturas humanas, possamos atribuir à mulher, ficaremos sempre infinitamente abaixo do que fez Deus escolhendo uma delas para ser a mãe do seu Filho feito homem. “Ainda que tivéssemos  tantas línguas quantas são as folhas da relva”[8].

Muito tem sido feito nos últimos tempos para aumentar a presença das mulheres nas esferas de decisões da Igreja, e muito, talvez, ainda há por ser feito. Mas talvez não seja o caso de nos ocuparmos disso aqui. Devemos nos ocupar, ao invés, de um outro âmbito, no qual não tem qualquer importância a distinção homem-mulher, porque a mulher de que estamos falando representa toda a Igreja, isto é, homens e mulheres da mesma maneira.

Em poucas palavras, trata-se disto: Jesus, que nasceu uma vez física e corporalmente de Maria, deve nascer agora espiritualmente da Igreja e de cada fiel. Uma tradição exegética que, em seu núcleo inicial, remete-se a Orígenes, cristalizou-se na fórmula: “Maria, vel Ecclesia, vel anima”: Maria, isto é, a Igreja, isto é, a alma. Ouçamos como uma autor medieval, Isaac de Stella, formula esta doutrina:

Nas Escrituras divinamente inspiradas, o que se afirma de modo uni­versal da Virgem Mãe Igreja, é entendido de modo sin­gular da Virgem Mãe Maria; e o que se afirma de modo especial de Maria, é entendido em sentido geral da Virgem Mãe Igreja… Enfim, toda alma fiel, esposa do Verbo de Deus, mãe, filha e irmã de Cristo, é considerada também ela, ao seu modo, virgem e fecunda. A mesma Sabedoria de Deus, que é o Verbo do Pai, aplica assim universalmente à Igreja o que se afirma especialmente de Maria e, singularmente, também de toda alma fiel[9].

Iniciemos pela aplicação eclesial. Se, no “sentido mais pleno” (o chamado sensus plenior), a mulher na Escritura indica a Igreja, então a afirmação de que Jesus nasceu de uma mulher implica que ele deve nascer hoje da Igreja!

Há um ícone muito difundido entre os cristãos ortodoxos, que é chamado de Panhagia, isto é, a Toda Santa. Nele, vemos Maria de pé, em estatura completa. Em seu peito, como que irrompendo de dentro, sobressai o menino Jesus, que tem a majestade de um adulto. O olhar do devoto é atraído pelo menino, antes mesmo que pela mãe. Ela, por sua vez, está com os braços erguidos, quase convidando a olhar para ele e dar-lhe espaço. Assim deveria ser a Igreja. Quem a olha não deveria se deter nela, mas ver Jesus. É a luta contra a autorreferencialidade da Igreja, sobre a qual frequentemente têm insistido os dois últimos Sumos Pontífices, Bento XVI e o Papa Francisco.

Há um conto do escritor Franz Kafka, que é um poderoso símbolo religioso a tal propósito. É intitulado “Uma mensagem imperial”. Fala de um rei que, no leito de morte, chama ao seu lado um súdito e lhe sussurra uma mensagem ao ouvido. É tão importante aquela mensagem que lhe faz repetir, por sua vez, ao próprio ouvido. Então, despede com um aceno o mensageiro, que se põe a caminhar. Mas escutemos diretamente do autor o desenvolvimento da narrativa, marcada pelo tom onírico e quase como um pesadelo, típico deste escritor:

Projetando um braço aqui, outro acolá, o mensageiro abre alas por entre a multidão e avança ligeiro como ninguém. Mas a multidão é imensa, e as suas moradas, exterminadas. Como voaria se tivesse via livre! Mas ele se esforça em vão; ainda continua a se afanar pelas salas interiores do palácio, do qual nunca sairá. E mesmo que conseguisse, isto nada quereria dizer: ele teria que lutar para descer as escadas. E mesmo que conseguisse, ainda nada teria feito: haveria que cruzar os pátios; e, depois dos pátios, o segundo círculo dos edifícios. Se conseguisse precipitar-se, finalmente, para fora da última porta – mas isso nunca, nunca poderá acontecer – eis que, diante dele, alçar-se-ia a cidade imperial, o centro do mundo, em que montanhas de seus detritos se amontoam. Lá no meio, ninguém é capaz de avançar, nem mesmo com a mensagem de um morto. Tu, no entanto, te sentas à tua janela e sonhas com aquela mensagem quando a noite vem[10].

Não se pode deixar, ao ler este conto, de pensar em Cristo que, antes de deixar este mundo, confiou à Igreja a mensagem: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). E não se pode deixar de pensar em tantos homens que estão à janela e sonham, sem saber, com uma mensagem como a dele.

Temos que fazer todo o possível para que a Igreja nunca se pareça ao castelo complicado e assombroso descrito por Kafka, e para que a mensagem possa sair dela tão livre e alegre como quando começou a sua corrida. Sabemos quais são os impedimentos que podem reter o mensageiro: as muralhas divisórias, começando por aquelas que separam as várias igrejas cristãs umas das outras; a burocracia excessiva; os resíduos de cerimoniais, leis e disputas do passado, que se tornaram, enfim, apenas detritos.

Acontece de forma parecida com certas construções antigas. Ao longo dos séculos, para se adaptar às exigências do momento, foram acrescidos de divisórias, escadas, salas, antessalas e depósito sob as escadas. Chega o momento em que percebemos que todas essas adaptações não mais respondem às exigências atuais, antes, são de obstáculo; então, é preciso ter a coragem de derrubá-las e reportar o edifício à simplicidade e linearidade de suas origens, em vista de um renovado utilizo.

Citei este conto na pregação que proferi em São Pedro, na Sexta-feira Santa de 2013, no primeiro ano de Pontificado do atual Sumo Pontífice. Se me permiti repetir aqui estes  pensamentos, é para agradecer a Deus pelos passos decisivos que a Igreja tem feito nesse espaço de tempo para sair de si mesma e “ir aos encontro das periferias existenciais do mundo”.

Cristo deve nascer da alma

Falta-nos refletir agora sobre o que nos diz respeito mais de perto: o nascimento de Cristo da alma fiel. “Cristo – escreve São Máximo Confessor – nasce sempre, como quer, misteriosamente, encarnando-se através daqueles a quem salva: ele faz da alma grávida uma mãe virgem”[11].

Como tornar-se mãe de Cristo, explica-nos Jesus no Evangelho: escutando, diz ele, a Palavra e pondo-a em prática (cf. Lc 8,21). É importante notar que há duas operações para se fazer. Também Maria se tornou mãe de Cristo através de dois momentos: primeiro, concebendo-o, depois, dando-o à luz.

Há duas maternidade incompletas ou dois tipos de interrupção de maternidade. Uma é aquela, antiga e bem conhecida, do aborto. Ela acontece quando se concebe uma vida, mas não se dá à luz, porque, no meio-tempo, ou por causas naturais ou pelo pecado dos homens, o feto morre. Até há pouco tempo, este era o único caso conhecido de maternidade incompleta. Hoje se conhece um outro, que consiste, ao contrário, em dar à luz um filho sem tê-lo concebido. Isso acontece no caso de filhos concebidos em proveta e inseminados no ventre de uma mulher, ou no caso do útero emprestado para acolher, talvez a pagamento, vidas humanas concebidas em outra parte. Neste caso, o que a mulher dá à luz não provém dela, não é concebido “primeiro no coração e depois no corpo”, como diz Agostinho de Maria[12].

Infelizmente, também no plano espiritual, há estas duas tristes possibilidades. Concebe Jesus, sem dá-lo à luz, quem acolhe a Palavra, sem pô-la em prática; quem continua a fazer um aborto espi­ritual após o outro, formulando propósitos de conversão que depois são sistematicamente esquecidos e abandonados pelo meio do caminho. Afirma São Tiago, são aqueles que observam seu rosto no espelho com pressa, saem e logo se esquecem como era a sua aparência (cf. Tg 1,23-24).

Por sua vez, dá à luz Cristo sem tê-lo concebido quem faz tantas obras, até boas, mas que não vêm do coração, do amor a Deus e da reta intenção, mas sobretudo do hábito, da hipocrisia, da busca da própria glória e do próprio interesse, ou simplesmente da satisfação por fazer. As nossas obras são “boas” apenas se provêm do coração, se são concebidas por amor a Deus e na fé. Em outras palavras, se a intenção que nos guia é reta, ou ao menos nos esforçamos por ratificá-la.

São Francisco de Assis tem uma palavra que resume bem o que me esforço para evidenciar:

Somos mães de Cristo – afirma – quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo, pelo amor divino e a consciência pura e sincera; e o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo[13].

Nós, ele quer dizer, concebemos Cristo quando o amamos em sinceridade de coração e com retidão de consciência, e o damos à luz quando fazemos obras santas que o manifestam ao mundo e dão glória ao Pai que está nos céus (cf. Mt 5,16). São Boaventura desenvolveu este pensamento do seu Seráfico Pai em um opúsculo intitulado “As cinco festividades do Menino Jesus”[14]. Tais festas são para ele: a concepção, o nascimento, a circuncisão, a Epifania e a Apresentação ao templo. O santo explica como celebrar espiritualmente cada uma destas festas na própria vida. Limito-me ao que diz sobre as primeiras duas festas: a concepção e o nascimento.

Para São Boaventura, a alma concebe Jesus quando, insatisfeita com a vida que leva, estimulada por santas inspirações e inflamando-se de santo ardor, enfim, separando-se decididamente de seus velhos hábitos e defeitos, é como se fosse fecundada espiritualmente pela graça do Espírito Santo e concebe o propósito de uma vida nova. Aconteceu a concepção de Cristo!

Uma vez concebido, o bendito Filho de Deus nasce no coração, quando, após ter feito um são discernimento, pedido conselho oportuno, invocado o auxílio de Deus, a alma imediatamente atua o seu santo propósito, começando a realizar o que há tempos vinha amadurecendo, mas que sempre tinha adiado por medo de não ser capaz disso.

Mas é necessário insistir em uma coisa: este propósito vida nova deve se traduzir, sem demora, em algo concreto, em uma mudança, possivelmente também exterior e visível, em nossa vida e em nossos hábitos. Se o propósito não for atuado, Jesus é concebido, mas não nasce. É um dos tantos abortos espirituais. Jamais se celebrará a “segunda festa” do Menino Jesus, que é o Natal! É um dos muitos adiamentos, dos quais talvez tenha sido pautada a nossa vida.

Uma pequena mudança para começar poderia ser fazer um pouco de silêncio ao nosso redor e dentro de nós. “Que bom seria – o Santo Padre disse na última audiência geral – se cada um de nós, a exemplo de São José, pudesse recuperar esta dimensão contemplativa da vida, aberta no silêncio”. Uma antiga antífona da época do Natal dizia que a Palavra de Deus desceu do céu dum medium silentium tenerent omnia: “enquanto tudo em volta era silêncio”.

Em primeiro lugar, tentemos silenciar o ruído que está dentro de nós, os processos que sempre se passam nas nossas mentes, sobre pessoas e factos, dos quais sempre emergimos como vencedores. Vamos nos transformar de acusadores em defensores dos irmãos, pensando em quantas coisas os outros podem nos culpar. Nos julgamentos canônicos – pelo menos no passado – após a acusação, o juiz proferiu a fórmula: “Audiatur et altera pars“: Agora ouça a parte oposta. Quando nos pegamos julgando alguém, aprendemos a repetir peremptoriamente essa fórmula para nós mesmos: Audiatur et altera pars! Experimente se colocar no lugar do irmão!

Voltemos com o pensamento a Maria. Sobre a mulher grávida, Tolstói faz uma observação que pode nos ajudar a compreender e a imitar a Virgem neste final do Advento. O olhar da mulher expectante, diz, tem uma doçura estranha e está mais voltado para dentro de si do que para fora, porque dentro de si é a realidade mais bela do mundo. Então era o olhar de Maria que carregou o criador do universo em seu ventre. Vamos imitá-la reservando para nós alguns momentos de verdadeiro recolhimento para fazer nascer Jesus em nossos corações. A melhor resposta à tentativa da cultura secularizada de eliminar o Natal da sociedade é internalizá-lo e trazê-lo de volta à sua essência.

Está para se concluir o ano em que se celebrou o sétimo centenário da morte de Dante Alighieri. Concluamos, fazendo nossa a estupenda oração à Virgem do último canto do seu Paraíso. Também ele, como Paulo e João, chama Maria simplesmente “a Mulher”:

“Virgem Mãe, por teu Filho procriada,

Humilde e sup’rior à criatura,

Por conselho eternal predestinada!

Por ti se enobreceu tanto a natura

Humana, que o Senhor não desdenhou-se

De se fazer de quem criou, feitura.

No seio teu o amor aviventou-se,

E ao seu ardor, na paz da eternidade,

O germe desta flor assim formou-se.

Meridiana Luz da Caridade

És no céu! Viva fonte de esperança

Na terra és para a fraca humanidade!

Há tal grandeza em ti, há tal pujança,

Que quer sem asas voe o seu anelo

Quem graça aspira em ti sem confiança.

Ao mísero, que roga ao teu desvelo

Acode, e, às mais das vezes, por vontade

Livre, te praz sem súplica valê-lo.

Em ti misericórdia, em ti piedade,

Em ti magnificência, em ti se aduna

Na criatura o que haja de bondade”.

Santo Padre, Veneráveis Padres, irmãos e irmãs, feliz Natal!

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Tradução de Fr. Ricardo Farias, ofmcap

 

[1] Cf. Jó 14,1;15,14;25,4.

[2] Inácio de Antioquia, Tralliani 9,1; Smirnesi 1, Irineu de Lião, Adv. Haer. III, 16,3.

[3] Inácio de Antioquia, Efésios, 7,1.

[4] Cf. Tertuliano, De carne Christi, 20.

[5] Cf. Leão Magno, Carta 28 a Flaviano, 4.

[6] Gregório Magno, Comentário moral a Giobbe, XX,1.

[7] Irineu, Adv. Haer. IV,40,3.

[8] Lutero, Comentàrio ao Magnificat (ed. Weimar 7, p. 572 s).

[9] Cf. Isaac de Stella, Discursos 51 (PL, 194, 1863ss)

[10] Cf. F. Kafka, Un messaggio imperiale, in Racconti, Milano 1972, pp. 146ss.

[11] Cf. S. Máximo Confessor, Comentário ao Pai nosso (PG 90, 889).

[12] Cf. Sto. Agostinho, Discursos 215,4 (PL 38, 1074).

[13] S. Francisco de Assis, Carta aos fiéis 1.

[14] Cf. S. Boaventura, De quinque festivitatibus Pueri Jesu (ed. Quaracchi 1949, pp. 207ss).

Marcio Brito
Marcio Brito

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