Não podemos chamar Deus de Pai se não temos o próximo como irmão!

A frase de São Cipriano dizia: “Não pode ter Deus como pai quem não tem a Igreja como mãe”. Devemos acrescentar: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem o próximo como irmão”.
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No dia 03/12, o frade capuchinho e pregador da Casa Pontifícia, o cardeal Raniero Cantalamessa, fez à Cúria Romana, na Sala Paulo VI, no Vaticano, a Primeira Pregação do Advento, intitulada “Deus enviou o seu Filho para que todos recebêssemos a filiação adotiva”.

Neste texto, gostaria de chamar a atenção para uma fala de São Cipriano, no contexto da fala do cardeal Cantalemessa que é sempre muito enfático e direto em suas pregações.

A frase de São Cipriano dizia: “Não pode ter Deus como pai quem não tem a Igreja como mãe”. Devemos acrescentar: “Não pode ter Deus por pai quem não tem o próximo como irmão”.

Tal texto no remete a condição de filhos e filhas de Deus. Somos convocados a olhar com carinho e misericórdia a todos e todas. É preciso compreender a vida humana, tudo que existe merece respeito e tem dignidade de existir. Para tanto é necessário que, à luz da ciência, estamos em uma grande obra da criação e que somos seres e relação.

Infelizmente, vivemos em uma sociedade que só visa o lucro e o ser humano se tornou mais uma mercadoria a ser utilizada e descartada. Nossa vida se pauta em uma questão econômica. Infelizmente ainda prevalece o interesse econômico das grandes empresas que visam o lucro e colocam em risco a vida humana. Com a atual cultura do descartável, como nos apresenta o Papa Francisco, há uma tendência a tornar a vida humana como “parte do negócio”, algo que se pode barganhar. Estamos diante de um “mercado da morte” no qual o ser humano é um artigo a mais.

Por isso, é necessário mudar! É preciso olhar para a forma como tratamos os outros e que façamos o caminho da ética do cuidado, pautado no bem comum e preocupação com os mais frágeis da sociedade. É preciso, urgentemente, respeitar o outro e, portanto, respeitar a cada indivíduo, atentos à verdadeira conversão da consciência atrelado ao conhecimento científico para pensar o bem do próximo e não o meu próprio bem-estar. É a partir desta concepção que devemos observar na realidade o que temos de bom e como tratar o outro.

Devemos ter cuidado com a vida, respeitar o próximo e, principalmente, o respeito às gerações. Uma conduta moral duvidosa, sem apreço à vida, nos leva a deixar de vivenciar os melhores momentos. Por isso, ter esperança, ou esperançar, é ter iniciativa, é ir ao encontro, é socorrer os necessitados, os fragilizados. Diante dos desafios, somos chamados a nos colocar no processo de reinvenção do cotidiano. Um mundo realmente novo só será possível sob a condição de sermos responsáveis por ajudar a construir a mudança que esperamos e de ousar em construir, neste mundo, um bom lugar para se viver.

Para tanto, o pregador da Casa Pontifícia observou que se começa a entrever, na pregação de Jesus, a verdadeira novidade que mudará tudo: “Deus não é pai apenas em sentido metafórico e moral, enquanto criou e cuida do seu povo. É também – e antes de tudo – verdadeiro pai de um verdadeiro filho gerado “antes da aurora”, ou seja, antes do início do tempo, e será graças a este Filho único que os homens poderão se tornar também eles filhos de Deus em sentido real e não apenas metafórico.”

Cantalamessa ressaltou que para expressar a plenitude deste mistério é preciso considerar que “Deus não nos transmite apenas o nome de filhos, mas também a sua vida íntima, o seu Espírito, que é, por assim dizer, o seu DNA. Pelo batismo, em nós corre a mesma vida de Deus.”

Raniero Cantalamessa continua sua pregação e nos dá um alerta, sobre a condição de filhos e filhas pelo batismo: “Nós, cristãos, damos frequentemente por certa esta realidade de ser filhos de Deus. Ao contrário, é bom recordar sempre com gratidão o momento em que nos tornamos tais, o do nosso batismo, para viver com maior consciência o grande dom recebido”.

Sendo assim, é urgente observar o caminho vivido por todos e todas, atuantes e comprometidos com o respeito aos mais necessitados e a nossa grande família de irmãos e irmãs. Jesus deve ser nosso exemplo a ser seguido pela sua ética; pelo seu comportamento, costumes, hábito, caráter, modo de ser e de agir. Jesus assumiu sua conduta autêntica em uma sociedade contrária a tudo que ele pregava. Ele veio transformar o mundo, a começar com a sociedade de sua época, desejava fazê-la refletir e mudar seu posicionamento frente ao legalismo exacerbado. Assim, tratar o próximo com respeito é fazer valer o amor criador de Deus e sua proposta de vivência para o ser humano.

Marcio Brito
Marcio Brito

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